Mas porque Almas Castelos? Eu conheci algumas. São pessoas cujas almas se parecem com um castelo. São fortes e combativas, contendo no seu interior inúmeras salas, cada qual com sua particularidade e sua maravilha. Conversar, ouvir uma história... é como passear pelas salas de sua alma, de seu castelo. Cada sala uma história, cada conversa uma sala. São pessoas de fé flamejante que, por sua palavra, levam ao próximo: fé, esperança e caridade. São verdadeiras fortalezas como os muros de um Castelo contra a crise moral e as tendências desordenadas do mundo moderno. Quando encontramos essas pessoas, percebemos que conhecer sua alma, seu interior, é o mesmo que visitar um castelo com suas inúmeras salas. São pessoas que voam para a região mais alta do pensamento e se elevam como uma águia, admirando os horizontes e o sol... Vivem na grandeza das montanhas rochosas onde os ventos são para os heróis... Eu conheci algumas dessas águias do pensamento. Foram meus professores e mestres, meus avós e sobretudo meus Pais que enriqueceram minha juventude e me deram a devida formação Católica Apostolica Romana através das mais belas histórias.

A arte de contar histórias está sumindo, infelizmente.

O contador de histórias sempre ocupou um lugar muito importante em outras épocas.

As famílias não têm mais a união de outrora, as conversas entre amigos se tornaram banais. Contar histórias: Une as famílias, anima uma conversa, torna a aula agradável, reata as conversas entre pais e filhos, dá sabedoria aos adultos, torna um jantar interessante, aguça a inteligência, ilustra conferências... Pense nisso.

Há sempre uma história para qualquer ocasião.

“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15)

Nosso Senhor Jesus Cristo ensinava por parábolas. Peço a Nossa Senhora que recompense ao cêntuplo, todas as pessoas que visitarem este Blog e de alguma forma me ajudarem a divulga-lo. Convido você a ser um seguidor. Autorizo a copiar todas as matérias publicadas neste blog, mas peço a gentileza de mencionarem a fonte de onde originalmente foi extraída. Além de contos, estórias, histórias e poesias, o blog poderá trazer notícias e outras matérias para debates.
Agradeço todos os Sêlos, Prêmios e Reconhecimentos que o Blog Almas Castelos recebeu. Todos eles dou para Nossa Senhora, sem a qual o Almas Castelos não existiria. Por uma questão de estética os mesmos foram colocados na barra lateral direita do Blog. Obrigado. Que a Santa Mãe de Deus abençoe a todos.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O Médico Ateu


Recebi pela internet um conto que me interessou muito. Desconheço o autor e a veracidade dos fatos narrados. Mas o conto é tão edificante que resolvi posta-lo, porém com essas observações.

Lembro-me uma vez eu li sobre o caso de um professor de Medicina Norte Americano que era ateu. Numa de suas aulas toda cheia de materialismo, dizia que a medicina estava tão adiantada que quase estava vencendo a própria morte e que o céu e o inferno era um mito. A ciência ainda vencerá a morte, dizia ele.

De repente sua aula foi interrompida por uma emergência. Um de seus pacientes na UTI estava entrando no estado de “perpétuo descanso”. Todos saíram correndo para ver a atuação do ilustre mestre ateu. Chegado ao centro da UTI, já munido de aparelhos ressucitativos (máquina de choques), o médico iniciou os choques para ressuscitar o coração já inerte.

Ao primeiro choque, o morto arregalou os olhos e “adormeceu”.
O médico insistiu com um choque mais forte: o morto arregalou os olhos e contorceu totalmente a face causando enorme espanto entre os presentes. Nova investida do médico ateu com choque ainda mais forte: foi então que o corpo pulando de forma convulsiva, com os olhos arregalados e o rosto de forma horrenda disse: “Socorro, estou no inferno.” e caiu definitivamente morto.

Nem preciso dizer o susto entre os presentes. O médico largou os equipamentos e ficou todo empalidecido. O tumulto foi geral, desmaios e gritos dos presentes. O médico atônito ficou imóvel. Realmente o inferno existia.A partir desse dia em diante o médico passou a ter fé e a rezar todos os dias, ensinando em suas aulas como foi que ele passou a acreditar em Deus.

* * * * * *

Apesar de não ter a comprovação da veracidade do caso narrado acima, não me espantaria que fosse verdade mesmo, pois isso já
aconteceu.

A conversão de São Bruno se deu exatamente assim.
São Bruno nasceu em Colônia, na Alemanha em 1030 de família nobre.
Bruno presenciou um fato que modificou para sempre o resto dos seus dias:

Um homem que havia se afogado, foi retirado de um rio caudaloso. Estando para ser enterrado, fez-se o ofício fúnebre do qual São Bruno estava presente.
No entanto no meio do ofício ouviu-se o defunto falar por três vezes. A primeira disse: “Fui julgado”. A segunda: “Fui dado como culpado”. A terceira: “Fui condenado”. As pessoas se assustaram muito. São Bruno ficou tão impressionado com tudo isso que resolveu passar o resto dos seus dias no isolamento e no silencio. Foi assim que fundou uma das Ordens religiosas mais importantes e mais humildes que prestam austeridade e reconhecimento a Deus: A ordem de Cartuxa.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Quem quer namorar?

Tenho uma amiga chamada Catina. Essa senhora com setenta e tres anos de idade, sempre foi exemplo de apostolado vivo. Aos sete anos de idade ingressou na antiga Pia Associação dos Santos Anjos como aspirante, sendo promovida depois para Associada. Essa Pia Associação não existe mais, ou pelo menos não se houve falar dela por esse Brasil, tinha sido criada para meninas de sete a dez anos de idade, onde aprendiam catecismo, se divertiam e veneravam o Santo Anjo da Guarda, sob a proteção e os ensinamentos de Nossa Senhora Auxiliadora e São João Bosco. Ao completar a idade, as meninas saiam da Pia Associação e ingressavam como Aspirantes a Filhas de Maria e depois, Filhas de Maria propriamente. Era o sonho de toda a menina da época, ir a Santa Missa com aquela linda fita sobre os ombros e a Santa Medalha pendurada.

O grande sonho da Sra. Catina é ver surgir novamente a Pia Associação dos Santos Anjos, mas agora ampliada, isto é, re-escrever os estatutos para que essa Associação seja agora para adultos, jovens e crianças, de ambos os sexos, afim de que se venere santamente o Santo Anjo da Guarda - nosso zeloso guardador desde o nosso nascimento até a hora de nossa morte. Dessa forma ela criou o Blog Casa Pia dos Santos Anjos (http://casapiadossantosanjos.blogspot.com/). Porém ela recebeu alguns e-mails perguntado-lhe sobre o namoro moderno. Então ela resolveu escrever uma postagem, no sentido de responder os e-mails e assim tentar ajudar pessoas que pretendem namoro sério. Achei muito importante tal postagem, por isso, transcrevo abaixo:

Abaixo está a foto dos pais de Santa Terezinha do Menino Jesus. Ler a história de como se conheceram é uma coisa boa. Recomento a leitura do livro "A Mãe de Santa Terezinha".


Recebi alguns e-mails de alguns jovens onde me pediam conselhos dizendo que estava muito difícil namorar nos dias de hoje. Uns diziam que “os homens não querem nada de sério”, outros diziam que “estava difícil de encontrar mulheres caseiras”. Assim me vi na obrigação de escrever esta postagem. Se a orientação servir para os que me escreveram, fico feliz. Antes de tudo procurei um padre amigo e expus o problema. Como eu poderia escrever alguma coisa para ajudar essas pessoas? Então recebi a orientação do sacerdote e repasso o que aprendi também.

Todos já ouviram alguém comentar: “esta moça é boa para casar” ou “este moço é bom para casar”. Eu pergunto, porque alguns jovens são considerados “bons para casar” e outros não? O que diferencia uns dos outros?

O que ocorre na verdade é a grande mentira do mundo moderno. O mundo moderno oferece um universo de coisas atraindo a juventude, e esses jovens muitas vezes desavisados e sem a formação adequada, se enveredam pelas modernidades e acham que fazendo isso atraem o sexo oposto, por que vivem “na moda”, na “crista da onda”, querem ser os primeiros a mostrarem que “são modernos”, e por aí vai...

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou há de afeiçoar-se a um e desprezar o outro.” (...) Mateus 6, 24.

Jovens ! Jovens ! Jovens! Prestem atenção!

“A casa dos ímpios será destruída; mas as tendas dos justos florescerão” Provérbios, 14, 11.

Se alguém atrai pessoas, não é por que segue a moda... somente...
E se atrair somente por isso... que coisa passageira. Tão passageira quanto a moda. O que atrai pessoas boas e dura para sempre é a responsabilidade, é a bondade que se tem no coração, é ter personalidade firme. Não se pode ser como “areia que é arrastada com o vento da moda”. Deves ser forte como um rochedo defendendo sempre os BONS VALORES.
Não se deve ter medo de ser bom entre os maus. Deve-se defender a verdade, mesmo quando todos digam o contrario.

Esse é o problema da juventude de nossos dias. O casamento é o resultado do amor entre duas pessoas. E somente é capaz de amar verdadeiramente, quando se ama a Deus. Pois é o amor a Deus que nos faz amar o próximo. Atrair pessoa do sexo oposto pela sensualidade é o que tem de mais insignificante, pois toda a juventude passa e depois que a beleza se for, onde estará o amor? O Padre Antonio Vieira dizia: “Beleza é uma caveira bem vestida.” Grande verdade esta.
Quem atrai pela sensualidade o que espera que o outro procure?
Sejam virtuosos e façam questão de mostrar que são virtuosos, pois assim afastarás de ti os maus e atrairás os que querem realmente construir uma família.

“Ofereçam carniça, e aparecerão urubus. Ofereçam boas sementes e aparecerão pássaros.” – diz o ditado popular.

“A mulher prudente edifica sua casa; a insensata destruirá com suas próprias mãos a que já está feita”. Provérbios 14, 1.

Muitas pessoas estão cansadas das farsas do mundo moderno, da falta de seriedade, das modas inconseqüentes, dos costumes indecentes e estranhos...
As pessoas estão procurando pessoas conservadoras que sabem o que querem, que não “vão na onda” da moda e dos costumes incertos de hoje.

“Afasta-te do homem insensato, pois ele não conhece os ditames da prudência.” Provérbios 14, 7.

Quantos jovens perdidos nas brumas deste século de pecado, seguindo os exemplos das novelas de televisão, sem saber que rumo tomar e sempre a espera de alguma moda para seguir.... se enveredam pela vida inócua.
De repente, no meio dessa bruma espessa, alguém grita, alguém brada: Eu não concordo com isso. Eu tenho personalidade. Eu quero ser eu mesmo e não viver desesperado copiando os outros... Eu não tenho medo e nem vergonha de dizer que Nossa Senhora mora no meu coração... Então... quando se ouve esse brado.... começa a procura: “Quem teria bradado?” Então o vento da fé dissipa a bruma e aparece o corajoso que teve a audácia católica de dizer: Eu não tenho medo de ser católico, eu sirvo a Deus e não a moda e nem os costumes pagãos de hoje...

“Eles passarão, mas tu permanecerás, e todos envelhecerão como uma veste” Epístola aos Hebreus 1, 11.

Então os incertos jovens olham para cima e vêem alguém que não tem medo de ser responsável, que não tem medo de ser católico, que não tem medo de formar sua família na educação cristã, que certamente saberá educar seus filhos... então esse alguém fica realmente em evidencia...

“O insensato será farto dos seus caminhos, e o virtuoso ficará superior a ele.” Provérbios 14, 14.

HOMENS E MULHERES, MOÇOS E MOÇAS, JOVENS ESCUTEM O QUE EU LHES DIGO:

SEJAM VIRTUOSOS, NÃO TENHAM MEDO DAS VERDADES DE SEMPRE... SEJAM BOAS SEMENTES PARA ATRAIR BONS PÁSSAROS.

As verdades de sempre são perenes, mas as modas e os péssimos costumes do mundo de hoje passarão... e ainda mais, sereis julgados por Deus...

“Feliz o homem que teme o Senhor, e que põe suas delícias em cumprir os seus mandamentos. Poderosa será a sua posteridade sobre a terra; bendita será a geração dos justos.” Livro dos Salmos, 111 – 1, 2.

Texto escrito por Catina, do Blog Casa Pia dos Santos Anjos

domingo, 29 de agosto de 2010

A morte de São Bento

No Mesmo ano em que havia de sair desta vida, anunciou o dia de sua santíssima morte a alguns discípulos que com ele viviam e a outros que viviam longe; aos que estavam presentes, recomendou-lhes que guardassem silêncio sobre o que haviam ouvido, e aos ausentes lhes indicou que sinal se lhes daria quando sua alma saísse do corpo.
Seis dias antes da morte mandou abrir sua sepultura. Logo depois, atacado por uma febres, começou a ressentir-se de seu ardor violento. Como a enfermidade se agravasse dia a dia, no sexto fez-se conduzir pelos discípulos ao oratório e ali se fortaleceu para a partida deste mundo recebendo o Corpo e o Sangue do Senhor; e apoiando seus enfraquecidos membros nos braços dos seus discípulos, permaneceu de pé com as mãos erguidas para o céu, e exalou o último suspiro entre as palavras da oração.
No mesmo dia, dois de seus discípulos, um que se achava no monastério e outro distante dele, tiveram uma mesma e idêntica revelação. Viam um caminho adornado por tapetes e resplandecente de inumeráveis luzes que saía de seu monastério pela parte do Oriente e se dirigia diretamente para o Céu. No alto, um personagem de aspecto venerável e luminoso lhes perguntou se sabiam que caminho era aquele que estavam contemplando. Eles responderam que não sabiam. E então lhe disse:

- “Este é o caminho pelo qual Bento, o amado do Senhor, subiu ao Céu”.

Assim, ao mesmo tempo que os discípulos presentes assistiram à morte de santo varão, os ausentes a conheceram graças ao sinal que lhes havia anunciado.

Séculos após o falecimento de São Bento, apareceu a Santa Gertrudes, sua ilustre filha espiritual. Arrebatada em admiração contemplando suas grandezas, a virgem recordou-lhe sua gloriosa morte, quando na Igreja de Monte Cassino após ter recebido o Corpo e o Sangue do Senhor, sustentado nos braços de seus discípulos e de pé como um guerreiro, numa derradeira prece entregou sua santa alma a Deus. Gertrudes ousou pedir-lhe então, em nome de tão preciosa morte, que se dignasse assistir com sua presença, em sua última hora, a cada uma das religiosas que então compunham o mosteiro de que fazia parte. O santo Patriarca, seguro do seu crédito junto ao soberano Senhor de todas as coisas, respondeu-lhe com a doce autoridade de que estava repassado seu falar neste mundo:

“Todo aquele que me render homenagem pelo favor com que meu Mestre dignou-Se honrar meus últimos momentos, obrigo-me a assisti-lo eu mesmo na hora de sua morte. Serei para ele um baluarte, que o defenderá com segurança contra as investidas dos demônios. Fortificado por minha presença, escapará às ciladas dos inimigos de sua alma, e o céu se abrirá diante dele.”

Vida e Milagres de São Bento – São Gregório Magno, Papa – Artpress Editora.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Santo Antão e São Paulo de Tebas

Antão nasceu cerca do ano 251, na aldeiazinha de Coma, hoje chamada Quemã-el-Arune, na província de Bení Suef, no Alto Egito. Ao ficar órfão, pediu conselhos a Deus para saber o que faria de sua vida. Foi assim que na missa ouviu o padre pregar o sermão dizendo: “Se queres ser perfeito, vai vender tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terá um tesouro nos céus; depois vem Seguir-me”. Então Antão levantou-se, deixou a igreja, foi e vendeu sua terra e seus rebanhos, e deu o dinheiro aos pobres da aldeia, pois sentiu que as palavras eram para ele. Depois colocou sua irmã num asilo de mulheres, e decidiu viver como eremita no meio do deserto, na mais completa solidão. Havia, todavia, naquela época certo número de cristãos piedosos, que viviam no Egito, verdadeiros “homens retos”, forçados a fugir às perseguições do imperador romano Décio, e que agora viviam sua fé numa reclusão sossegada. Um desses homens foi procurado por Antão. Lá aprendeu como viver sozinho. E assim partiu para o deserto. A história de Santo Antão é repleta de lutas contra demônios. Vivia ele rezando e sempre na companhia de Deus. Os homens cristãos começaram a imita-lo. Foi assim que surgiram as primeiras comunidades religiosas. Passaram-se muitos anos e a fama de santidade de Antão crescia muito. Um dia recebeu um presente do Bispo de Alexandria, Santo Atanásio: o manto episcopal. Antão guardou-o como um verdadeiro tesouro.

E assim passou sua vida no deserto através dos anos. A comunidade dos homens que o seguia já era enorme.


Um certo dia, já idoso, resolveu, por inspiração divina, procurar São Paulo de Tebas: Piedoso homem de nobre linhagem, que vivia na solidão do deserto também, e que desde os 21 anos de idade jamais tinha colocado os olhos sobre qualquer homem ou qualquer mulher. Noticia alguma se tinha dele, pois sua vida decorria em isolamento silencioso. Quando Antão foi visita-lo, em 342, Paulo havia passado noventa anos no deserto e estava com 113 anos de idade. Naquele tempo Antão já estava com mais de noventa anos. Antão andou por todos os lugares do deserto, procurou em cavernas, atravessou oásis, e por fim achou a caverna onde vivia São Paulo de Tebas. Como foi que ele achou? Simples. Estava cansado e deitou para dormir, logo ao acordar viu uma loba semimorta de sede. Foi seguindo tentando encontrar água também. Ao chegar numa caverna a loba entrou e não saiu mais. Antão então percebeu que Deus havia lhe indicado o caminho. Então gritou:

- “Vós que admitis a entrada dos animais do deserto, não a negareis a um filho dos homens! Andei à procura. Encontrei! Agora peço para ser recebido.”


A estas palavras São Paulo saiu da caverna com a loba. Os dois homens cumprimentaram-se, chamando-se pelos próprios nomes, pois Deus havia revelado a ambos. O Senhor havia prometido a Paulo enviar Antão, antes de o chamar a Si, a fim de que ainda pudesse ele falar, ser humano a outro ser humano, depois de nove décadas de silêncio e solidão. Os dois idosos santos conversaram a respeito das coisas da eternidade. Somente uma vez foram interrompidos. Um corvo chegou voando para eles. Trazia no bico um pão e colocou-o diante deles.

- “Vede! – disse Paulo – Deus nos manda nossa comida. Durante sessenta anos recebi cada dia meio pão; mas com a vossa chegada, Cristo dobrou a ração de Seus soldados.”


Terminada a refeição, ambos passaram a noite em oração. Paulo sabia que era sua última oração na terra, pois estava ciente de que a visita de Antão anunciava sua partida deste mundo. Para poupar a seu visitante o espetáculo de sua morte, pediu a Antão que voltasse à sua caverna e lhe trouxesse o manto da Igreja, que recebera de Santo Atanásio. Antão satisfez-lhe o desejo e apressou-se em voltar à sua caverna. Três dias de viajem separavam sua caverna da de Paulo. Longa jornada para tão velho homem! Mas Antão cobriu esta distância com a velocidade dum passarinho. Quando Antão chegou de novo à caverna, encontrou Paulo de joelhos, a rezar.

Ajoelhou-se também para rezar. Mas depois percebeu, pela rigidez do corpo de Paulo, que era um morto que ali estava de joelhos, na atitude de prece. Profundamente pesaroso, Antão tomou o corpo do santo, para preparar o lugar de seu derradeiro repouso. Não tinha instrumento para cavar uma cova. Mas ao circunvagar a vista, sem saber como fazer, viu dois leões que caminhavam em sua direção. Poucos passos adiante pararam e com suas garras começaram a cavar uma cova. Antão depositou o corpo nela e cobriu-o com o manto da Igreja.Depois ajoelhou-se ao lado da cova para chorar a morte de São Paulo. E ouviu o eco de sua voz multiplicado num grande coro de lamentação, e, quando ergueu a vista, viu todos os animais do deserto reunidos em torno do túmulo. Tinham vindo chorar a perda de seu amigo.

"Os Santos que Abalaram o Mundo" - René Fullop Miler

domingo, 22 de agosto de 2010

A doçura do Céu


Como deve ser maravilhoso o Céu. Tantas coisas bonitas lá deve haver. Porém a maior de todas as alegrias é poder contemplar Deus face-a-face. Vejamos este pequeno fatinho de São Francisco de Assis; o santo que ocupa o lugar de um Serafim no Céu; por isso é chamado de Santo Seráfico.

São Francisco de Assis, já muito debilitado do corpo, começou a pensar na desmesurada glória e gáudio dos bem-aventurados à vida eterna; e por isso começou a pedir a Deus que lhe concedesse a graça de experimentar um pouco daquele gáudio. E estando neste pensar, subitamente lhe apareceu um anjo com grandíssimo esplendor, o qual tinha um violino na mão esquerda e o arco na direita e, estando S. Francisco todo estupefato pelo aspecto desse anjo, ele passou uma vez o arco sobre o violino, e subitamente tanta suavidade de melodia dulcificou a alma de S. Francisco e a suspendeu de todo sentimento corporal, que, segundo o que ele contou depois aos companheiros, não duvidava, se o anjo puxasse o arco para baixo, que pela intolerável doçura a alma se não partisse do corpo.


I Fioretti de São Francisco de Assis, Editora Vozes, 1973, páginas 142/143

A morte de São Francisco e Landolfo


Um nobre cavalheiro da Massa de S. Pedro, que tinha por nome monsior Landolfo, o qual era devotíssimo de S. Francisco, e finalmente de suas mãos recebeu o hábito da Ordem Terceira, ficou sabendo da morte do Santo através do demônio que possuía uma mulher.

Porque estando S. Francisco próximo à morte naquele tempo entrou o demônio numa mulher do dito castelo e cruelmente a atormentava, e com isso a fazia falar à letra tão subtilmente, que todos os homens sábios e letrados que vinham disputar com ela eram vencidos. Adveio que, partindo-se dela o demônio a deixou livre dois dias, e no terceiro voltando a ela a afligia muito mais cruelmente que dantes. A qual coisa ouvindo monsior Landolfo, foi-se àquela mulher e perguntou ao demônio que habitava nela qual era a razão por que se tinha ausentado dela durante dois dias e depois voltando a atormentava mais asperadamente do que antes. Responde o demônio:

- Quando a deixei, com todos os meus companheiros que estão nestas bandas, nos reunimos e fomos com grande poder à morte do mendigo Francisco para disputar com ele e arrancar-lhe a alma; mas porque ela estava rodeada e defendida por uma legião maior do que éramos nós e por eles levada diretamente , nós partimos confusos; de sorte que restituo e dou a esta mísera mulher o que em dois dias lhe faltei.


I Fioretti de São Francisco de Assis, Editora Vozes, 1973, páginas 172/173.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Ave Maria, cheia de graça


Um grande pecador foi certo dia procurar São Bernardo e confessou-lhe os enormes e numerosíssimos pecados que tinha cometido.

- Já não é possível
, exclamou o infeliz, derramando lágrimas amargas, que eu ainda possa encontrar graça e perdão junto a Deus.

Mas o Santo Doutor, penalizado, respondeu textualmente:

- “Oh! não, meu filho, na tens razão para te desesperares, pois, nota bem, se temes não encontrar graça junto de Deus, espera ao menos encontra-la junto a Maria. Não e em vão que Ela é chamada cheia de graça. O próprio Anjo do Senhor a nomeou dessa forma.”


Após esses palavras, tomou a Sagrada Escritura e a abriu na passagem de São Lucas em que o Anjo diz a Maria: “Não temais, Maria, pois achaste graça diante de Deus”. E prosseguiu:

- “Compreendes bem, meu filho, essa afirmação de que Maria encontrou graça? Como isso? Porventura teria Ela perdido outrora a graça, para que pudesse reencontrá-la? Deus nos livre de tal blasfêmia! Pode-se encontrar o que outros perderam, e é disso que se trata,pobre coração pecador! Foste tu que, por causa do pecado, perdeste a graça de Deus, e Maria encontrou a graça que tu perdeste. Coragem, pois! Não temas, não te desesperes! Invoca a Mãe de Deus, lança-te aos seus pés e diz a Ela: Ó Mãe da divina graça, voltei vossos olhos para este pobre pecador. É verdade que eu perdi a graça divina, mas Vós a reencontrastes. Ó Mãe de bondade, devolvei-me a graça perdida; trabalhai para reconciliar-me com vosso divino Filho e sede a partir de agora minha proteção e meu apoio, para que de futuro eu não mais recaia tão facilmente no pecado e não abuse tão indignamente das graças de meu Pai celeste”.


Assim falou o Doutor inspirado.
O pecador aflito, sentindo-se aliviado, invovou a Maria, rezou e suplicou como São Bernardo lhe havia aconselhado.
Chorou suas faltas, fez séria e austera penitência e teve por fim uma santa morte, reconhecendo até os últimos instantes que Maria é cheia de graça, é Mãe misericordiosa de todos os pecadores que A invocam.

“Ave Maria – a oração da Mãe do Senhor” – Pe. Luís Mehler – Artpress Editora.

domingo, 15 de agosto de 2010

O nosso inimigo


O velho ratão que vivia no bosque mandou o filho em busca de comida; recomendou-lhe, porém, que se guardasse do inimigo. O ratinho, na primeira curva do caminho esbarrou, de repente, com um galo; voltou correndo ao pé da mãe, transido de susto, e descreveu o inimigo como um bicho soberbo, de crista arrogante e vermelha.

– Não é esse o nosso inimigo - sentenciou o ratão.

E ordenou ao filho que saísse outra vez. O segundo encontro do ratinho foi com um peru, que o deixou meio morto de pavor.

– Minha mãe – lamuriou ele, arquejando – vi um demônio enorme e emproado, de olhar terrível, pronto para matar.

Também não é esse o nosso inimigo - tranqüilizou-o a mãe, com docilidade comovida. - O nosso inimigo caminha silencioso, de cabeça baixa como uma criatura muito humilde, é macio, discreto, de aparência amável e deixa a impressão de ser inofensivo e muito bondoso. Se topares com ele, toma cuidado! Fujamos, pois, desse perigoso inimigo de aparência amável, que se finge solícito e prestativo e que, no entanto, só deseja a nossa ruína e a nossa perdição.

Essa interessante fábula foi por Kobriner apresentada para ilustrar o Salmo 10:9-10 (Arma ciladas em esconderijos, como o leão no seu covil; arma ciladas para roubar o pobre; rouba-o colhendo-o na sua rede. Encolhe-se, abaixa-se, para que os pobres caiam em suas fortes garras) Cfr. L. Browne, ob. cit., pág. 506.
Malba Tahan - Lendas do Povo de Deus

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O Livro de Ouro

Meus amigos e amigas, desde quando conhecí o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, não hesitei em fazer a consagração lá indicada, de conformidade com os ensinamentos de São Luiz Maria Grignion de Montfort. Não dá para descrever tantos e quantos benefícios que recebí ao fazer Santa Consagração. Recomendo a todos. Já fiz uma postagem anteriormente sobre o assunto:

http://almascastelos.blogspot.com/2010/05/inimizades-entre-os-filhos-da-virgem-e.html

Tão importante é esse livro que São Luiz sofreu tremendas perseguições pelos inimigos da fé. Proféticamente ele escreveu:
"Vejo claramente no futuro animais frementes que se precipitam com furor para estraçalhar com os dentes diabólicos este pequeno escrito e aquele de quem se serviu o Espírito Santo para escrevê-lo; ou para sepultá-lo, ao menos, no silêncio de um armário, a fim de que não veja a luz". (Tratado da Verdadeira Devoção, Editora Vozes, 36ª Edição, folhas 11)

No entanto, ao procurar livros sobre Nossa Senhora achei uma verdadeira preciosidade: O Livro de Ouro escrito pelo Pe. Lodi. Comprei e lí. Confesso que o livro é muito bom. Vale a pena ler.
Para quem quiser conhecer e adquirir, peço irem ao link:
http://www.providaanapolis.org.br/livroura.htm

Você conhece o 'livro de ouro' de São Luís Maria Grignion de Monfort?

Quando se falava da beleza e da importância do Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort, muitos se apressavam em comprá-lo para ler e fazer a consagração a Maria ensinada pelo autor.
Mas um bom número de fiéis queixava-se de não entender a linguagem do santo, seja pelo seu estilo, seja pelas citações em latim, e aproximava-se de mim para que eu lhes "traduzisse" a mensagem em linguagem popular.
Isto que tentava fazer oralmente a quem me procurava, procurarei agora fazer por escrito. Este livrinho não dispensa a leitura do livro de ouro, como é chamado o livro de São Luís. Mas poderá ajudar muitos a compreender e a pôr em prática seus valiosíssimos ensinamentos.
Se com este pequeno escrito, uma só alma amar mais a Maria e decidir consagrar-se a ela, já ficarei alegre. Se essa alma for a sua, comunique-me, para que nos alegremos juntos.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

O texto acima é a Introdução do livrinho que escrevi em 1996 para difundir a prática da consagração à Santíssima Virgem na qualidade de escravo, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort.O Pró-Vida de Anápolis tem alguns exemplares à venda pelo preço de R$ 3,25 (mais despesas postais).
Quem quiser adquirir o livro:

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Parabenize Dom Luiz Gonzaga Bergonzini

O Bispo de Guarulhos Dom Luiz Gonzaga Bergonzini merece os nossos aplausos.
Não apenas ele orientou os cristãos a negarem seu voto aos defensores do aborto, mas indicou concretamente quem defende o aborto.Sua atitude é uma luz que brilha em nosso país neste tempo crítico das eleições.

*Parabenize Dom Luiz Gonzaga Bergonzini clicando aqui*
domluiz@diocesedeguarulhos.org.br,curia@diocesedeguarulhos.org.br?subject=Parabens_a_Dom_Luiz_Gonzaga&body=Solidarizo-me%20com%20sua%20coragem%20em%20orientar%20os%20cristaos%20a%20nao%20votarem%20em%20Dilma%20Rousseff.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
Telefax: 55+62+3321-0900
Caixa Postal 45675024-970 Anápolis GO
"Coração Imaculado de Maria, livrai-nos da maldição do aborto"

"Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mc 12,17)

Com esta frase Jesus definiu bem a autonomia e o respeito, que deve haver entre a política (César) e a religião (Deus). Por isto a Igreja não se posiciona nem faz campanha a favor de nenhum partido ou candidato, mas faz parte da sua missão zelar para que o que é de “Deus” não seja manipulado ou usurpado por “César” e vice-versa.
Quando acontece essa usurpação ou manipulação é dever da Igreja intervir convidando a não
votar em partido ou candidato que torne perigosa a liberdade religiosa e de consciência ou desrespeito à vida humana e aos valores da família, pois tudo isso é de Deus e não de César. Vice-versa extrapola da missão da Igreja querer dominar ou substituir- se ao estado, pois neste caso ela estaria usurpando o que é de César e não de Deus.
Já na campanha eleitoral de 1996, denunciei um candidato que ofendeu pública e comprovadamente a Igreja, pois esta atitude foi uma usurpação por parte de César daquilo que é de Deus, ou seja o respeito à liberdade religiosa.
Na atual conjuntura política o Partido dos Trabalhadores (PT) através de seu IIIº e IVº Congressos Nacionais (2007 e 2010 respectivamente), ratificando o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) através da punição dos deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso, por serem defensores da vida, se posicionou pública e abertamente a favor da legalização do aborto, contra os valores da família e contra a liberdade de consciência.
Na condição de Bispo Diocesano, como r e s p o n s á v e l pela defesa da fé, da moral e dos princípios fundamentais da lei natural que - por serem naturais procedem do próprio Deus e por isso atingem a todos os homens -, denunciamos e condenamos como contrárias às leis de Deus todas as formas de atentado contra a vida,dom de Deus,como o suicídio, o homicídio assim como o aborto pelo qual, criminosa e covardemente, tira-se a vida de um ser humano, completamente incapaz de se defender. A liberação do aborto que vem sendo discutida e aprovada por alguns políticos nãopode ser aceita por quem se diz cristão ou católico. Já afirmamos muitas vezes e agora repetimos: não temos partido político, mas não podemos deixar de condenar a legalização do aborto. (confira-se Ex. 20,13; MT 5,21).
Isto posto, recomendamos a todos verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não dêem seu voto à Senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais “liberações”, i
ndependentemente do partido a que pertençam.
Evangelizar é nossa responsabilidade, o que implica anunciar a verdade e denunciar o erro, procurando, dentro desses princípios, o melhor para o Brasil e nossos irmãos brasileiros e não é contrariando o Evangelho que podemos contar com as bênçãos de Deus e proteção de nossa Mãe e Padroeira, a Imaculada Conceição.

D. Luiz Gonzaga Bergonzini, Bispo de Guarulhos

Fonte: http://www.diocesedeguarulhos.org.br/miolo.asp?fs=menu&seq=204&gid=1

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Inscrição gravada na Catedral de Lübeck, Alemanha


Numa antiga Catedral de Lübeck, Alemanha, encontra-se gravada a seguinte inscrição:

Chamais-me Mestre, e não me obedeceis;
Chamais-me Luz, e não me vedes;
Chamais-me Caminho, e não me percorreis;
Chamais-me Vida, e não palpitas com Meu Coração;
Chamais-me Sábio, e não me escutais;
Chamais-me Adorável, e não me adorais;
Chamais-me Providência, e não me pedis;
Chamais-me Eterno, e não me procurais;
Chamais-me Misericordioso, e não confias em Mim;
Chamais-me Senhor, e não me servis;
Chamais-me Todo-Poderoso, e não me receais;
Chamais-me Justo, e não vos justificais;
Se Eu vos condenar, não me culpeis, só a vós culpai!

domingo, 8 de agosto de 2010

Feliz dia dos Pais



Um piedoso católico de nome Cláudio tinha o costume de rezar a Oração do Senhor com maior atenção e com confiança total.

“Quando rezo o Pai Nosso – dizia ele – penso em primeiro lugar no meu falecido pai que era muito bom e me dava tudo o que eu desejava. Penso em seguida no mundo inteiro, como se ele fosse a casa do meu pai; e penso nos homens todos, que habitam a Europa, a Ásia, a África e a América, como sendo meus irmãos. Penso depois em Deus sentado num trono dourado, estendendo a mão direita sobre o oceano até às extremidades do mundo, e tendo a mão esquerda repleta de graças e dons. Depois de ter pensado nisso tudo é que começo a rezar: Pai Nosso, que estais nos céus...”

Livro: O Pai Nosso – a oração que o Senhor nos ensinou – Padre Luiz Mehler – Artpress – São Paulo – 2003.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Mais duas crianças, mártires do Japão - São Tomás Kozaki e Santo Antonio

São Tomas Kozaki

Tomas Kozaki, era filho do Mártir Miguel. De família muito pobre, servia os frades em Kyoto, como ajudante de carpinteiro. O menino tinha boa inteligência e era muito simples. Dedicou-se com empenho a aprender o catecismo e a imitar os franciscanos. Esquecia-se das brincadeiras de criança para visitar os leprosos e os pobres. Discutia com os não-cristãos sobre a falsidade de sua religião. Jejuava, e quando os frades rezavam, e também se dedicava à oração.
Quando os verdugos cortaram as orelhas dos Mártires, Tomás gritou com coragem varonil:

- “Farta-te de sangue de cristãos, e se queres mais, corta!”

No caminho a Nagasaki, escreveu ua belíssima carta a sua mãe, onde aparecem os sentimentos de um filho amoroso e a preocupação de um santo com a salvação eterna da mãe e dos irmãos, por quem iria interceder no céu. Tinha 15 anos apenas quando morreu.

Santo Antonio

Antonio nasceu em Nagasaki, de pai chinês e de mãe japonesa.Batizado no colégio dos jesuítas em Nagasaki, continuou sua formação com os franciscanos. em Kyoto e Osaka.
No natal de 1596, quando os frades já estavam presos, pediu ao padre que veio rezar missa que lhe desse a primeira eucaristia, porque precisava de comunhão para ser mártir.
Quando em Osaka os soldados o quiseram libertar, porque estava um pouco doente e porque era muito criança, não o consentiu. No caminho a Nagasaki, respondeu ao juiz que o mandava renegar a fé:

- “Senhor, de jeito nenhum trocarei o bem certo que vejo ante os olhos por nenhuma coisa deste mundo!”

Já na cruz vence a última tentação: as lágrimas de sua mãe. Aos pais que o acompanhavam até o lugar do suplício disse:

- “Não choreis porque estou atado numa cruz, pois serei mártir. Irei ver a Deus no céu e me lembrarei de vós. Não choreis, antes mostrai-vos orgulhosos diante dos pagãos, para que entendam que vos alegrais, porque o vosso filho padece pela fé que recebeu!”

Com apenas 13 anos de idade, entregou sua alma ao Pai Celeste.

Livro: Os 26 Mártires do Japão – Frei Alécio Broering, O.F.M. – Edições Loyola.

Mártires do Japão, Escola Portuguesa, séc. XVII-XVIII, Col. Arq. João Teixeira

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

São Francisco Xavier e os Mártires Japoneses - São Luiz Ibaragui


Há muito tempo atrás ouvi uma história que muito me impressionou sobre a vida de São Francisco Xavier. Passo a narrar o que me lembro:

São Francisco Xavier, tendo ingressado na Companhia de Jesus tornou-se um dos favoritos de Santo Inácio de Loyola. Sabendo falar um só idioma, converteu povos de outras nacionalidades.
Santo Inácio ordenou a São Francisco Xavier que fosse ao Japão, fazer apostolado.
Escolheu um jesuíta e na companhia deste, se dirigiu ao Japão.
Seu companheiro ficava só imaginando como São Francisco Xavier converteria aquela gente que tinha hábitos totalmente diferente dos ocidentais, nem ao menos sabia falar japonês... No navio, São Francisco Xavier rezava. O mar imenso... com suas ondas levavam o grande santo e soldado de Jesus para o distante Japão.

Chegando ao Japão foram caminhando até chegar ao centro da cidade.
São Francisco Xavier disse ao seu companheiro:

- Faça tudo o que eu fizer.

E assim começou a cantar em voz alta o Credo.Do outro lado, vinha passando em uma liteira a princesa japonesa, carregada por quatro japoneses. Ela ouvindo tal canção, mandou parar. Abriu a pequena cortina, observou e disse:

- Eu não sei o que ele está falando, mas sei que o que ele está cantando é certo.

E assim, através de quadros de Nossa Senhora e através de tradutores da região pode explicar o catolicismo para muitos japoneses que se converteram.

Todos queriam ser batizados pelo “Pai Xavier”.
São Francisco Xavier era um homem fortíssimo. Estava acostumado a rezar o terço com os braços em cruz. No entanto eram tantos os batismos que precisavam ajuda-lo pegando sua mão e derramando água nas testas dos japoneses.

Como sempre acontece com grandes conversões em massa, acabou atraindo ódio dos inimigos. E nobres japoneses budistas, desencadearam uma grande e terrível perseguição aos católicos japoneses, culminando com martírios em grande quantidade.


O fato que passo a narrar em seguida foi extraído do livro "Os 26 Mártires do Japão" escrito pelo Frei Alécio Broering, O.F.M. - Edições Loyola:

OS MÁRTIRES DO JAPÃO:

São Luiz Ibaragui, japonês convertido ao catolicismo, contava com apenas 12 anos de idade.Nasceu em Owari e era sobrinho dos Mártires Leão Karasumaru e Paulo Ibaragui. Tinha sido batizado há apenas um ano e vivia com os frades ajudando o cozinheiro e enchendo o convento de alegria infantil. Era muito expansivo e amigo de todos. Participava assiduamente das orações dos cristãos e dos frades. Servia com muita caridade aos leprosos quando ia aos hospitais.
Seu nome já estava incluído entre os sentenciados à morte. Daqui para a frente, mais ainda inspira bom humor e alegria aos Mártires. Vencia todas as insinuantes propostas de apostasia.
Chegando a Nagasaki, perguntou corajoso:

- Qual é a minha cruz?

E foi correndo abraça-la. Sua cruz estava ao lado do outro menino Antonio. Os dois entoaram o salmo: “Louvai, crianças, ao Senhor. Louvai seu santo nome!”
A firmesa e a coragem das crianças estavam convertendo mais japoneses que prenciavam a comovente fé heróica. E isso alarmou mais ainda os soldados japoneses.
Quando quis recomeçar o salmo, a lança do verdugo atravessa seu corpo infantil. De seus lábios de criança, ainda escapam os doces nomes de Jesus e Maria.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Inocente ou culpado?

Contam que na Idade Média, um homem muito religioso foi injustamente acusado de matar uma mulher.
Na verdade o autor do crime era uma pessoa influente do reino e, por isso, desde o primeiro momento procurou-se acobertar o verdadeiro assassino.
O pobre homem foi levado a julgamento, já temendo o resultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo desta história.
O Juiz, que também estava combinado para levar o infeliz homem à morte, simulou um julgamento justo. Querendo fazer uma proposta que provasse sua inocência, disse ao acusado:

- Sou um homem profundamente religioso e por isso vou deixar tua sorte nas mãos do Senhor. Vou escrever em um pedaço de papel a palavra INOCENTE e num outro escreverei a palavra CULPADO. Tu sortearás um dos papéis e aquele será o veredicto. O Senhor decidirá seu destino!


Sem que o acusado percebesse, o Juiz preparou os dois papeis, mas em ambos escreveu CULPADO. Não haveria chance do acusado se livrar da forca. Ele não tinha saída. Não havia alternativa para o infeliz.
O Juiz colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o acusado escolher um.
O homem permaneceu por alguns instantes pensativo. Interiormente ele fazia uma súplica a Nossa Senhora, de quem era grande devoto. Pediu a Ela que o iluminasse. Aproximou-se da mesa, enfim, cheio de confiança naquela que nunca o tinha desapontado e pegando um dos papéis , colocou-o rapidamente na boca e o engoliu.
Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem:

- Mas o que você fez? E agora? como vamos saber qual será o veredicto?

- É muito fácil, respondeu o homem. Basta olhar o outro pedaço que sobrou e saberemos que acabei engolindo o contrário.

Assim diante do público, o Juiz não teve outra alternativa senão considerar o homem INOCENTE, sendo libertado imediatamente.

Tenhamos confiança em Nossa Senhora, Ela jamais nos abandonará...