Mas porque Almas Castelos? Eu conheci algumas. São pessoas cujas almas se parecem com um castelo. São fortes e combativas, contendo no seu interior inúmeras salas, cada qual com sua particularidade e sua maravilha. Conversar, ouvir uma história... é como passear pelas salas de sua alma, de seu castelo. Cada sala uma história, cada conversa uma sala. São pessoas de fé flamejante que, por sua palavra, levam ao próximo: fé, esperança e caridade. São verdadeiras fortalezas como os muros de um Castelo contra a crise moral e as tendências desordenadas do mundo moderno. Quando encontramos essas pessoas, percebemos que conhecer sua alma, seu interior, é o mesmo que visitar um castelo com suas inúmeras salas. São pessoas que voam para a região mais alta do pensamento e se elevam como uma águia, admirando os horizontes e o sol... Vivem na grandeza das montanhas rochosas onde os ventos são para os heróis... Eu conheci algumas dessas águias do pensamento. Foram meus professores e mestres, meus avós e sobretudo meus Pais que enriqueceram minha juventude e me deram a devida formação Católica Apostolica Romana através das mais belas histórias.

A arte de contar histórias está sumindo, infelizmente.

O contador de histórias sempre ocupou um lugar muito importante em outras épocas.

As famílias não têm mais a união de outrora, as conversas entre amigos se tornaram banais. Contar histórias: Une as famílias, anima uma conversa, torna a aula agradável, reata as conversas entre pais e filhos, dá sabedoria aos adultos, torna um jantar interessante, aguça a inteligência, ilustra conferências... Pense nisso.

Há sempre uma história para qualquer ocasião.

“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15)

Nosso Senhor Jesus Cristo ensinava por parábolas. Peço a Nossa Senhora que recompense ao cêntuplo, todas as pessoas que visitarem este Blog e de alguma forma me ajudarem a divulga-lo. Convido você a ser um seguidor. Autorizo a copiar todas as matérias publicadas neste blog, mas peço a gentileza de mencionarem a fonte de onde originalmente foi extraída. Além de contos, estórias, histórias e poesias, o blog poderá trazer notícias e outras matérias para debates.
Agradeço todos os Sêlos, Prêmios e Reconhecimentos que o Blog Almas Castelos recebeu. Todos eles dou para Nossa Senhora, sem a qual o Almas Castelos não existiria. Por uma questão de estética os mesmos foram colocados na barra lateral direita do Blog. Obrigado. Que a Santa Mãe de Deus abençoe a todos.

quinta-feira, 31 de março de 2011

A Morte do Bem-aventurado José de Anchieta


Uma vez um amigo me disse: A morte é a consequencia da vida! Dize-me como vives e eu te direi como será sua morte!

Eu já tinha lido e feito a postagem da morte de três santos: São Francisco de Assis, São Bento e São Paulo de Tebas (vide postagens no Blog). E estando a rezar o terço diante do femur do Bem-Aventurado José de Anchieta, na Igreja do Páteo do Colégio (centro de São Paulo) resolvi postar sobre este Servo de Deus ao qual até as feras selvagens obedecia!

A mata ficara silenciosa. O vento nem soprava. Parecia que tudo havia parado, apenas o canto triste de uma pequena ave: o uirapuru... Mas o que teria acontecido? Morrera o tão amado Bem-Aventurado José de Anchieta.

Os índios choravam copiosamente, disputaram quem iria carregar seu corpo pelas matas, e por onde passavam viam que toda a natureza ao redor compartilhava da dor dessa perda irreparável.

O milagre coletivo ocorrido durante dois dias de cortejo fúnebre do Apóstolo do Brasil era já o prenúncio de uma série de prodígios que ele operaria no decurso de quatro séculos.

Anchieta era o maior apóstolo que o Brasil tinha nos primórdios de nossa história. Discípulo de Santo Inácio de Loyola, o grande Santo fundador da Companhia de Jesus, Anchieta era querido por todos. Era um jesuíta cujos títulos não lhe faltavam: evangelizador dos índios, a quem também civilizou e instruiu; elo de ligação e harmonia entre brancos, silvícolas e negros; desbravador e fundador de vilas e cidades; incentivador e participante de expedições militares para a expulsão dos hereges invasores de nosso território; e incentivador da construção de fortes para a defesa do litoral contra os piratas europeus.

A notícia de sua morte correu pelas matas brasileiras e o Brasil inteiro chorou amargamente o Grande Apóstolo que havia perdido.

A notícia correu célere em Reritiba, na Capitania do Espírito Santo. Os índios, dando livre curso à dor em copioso pranto, enviaram logo às vilas e aldeias da região "pregadores" - trovadores à sua maneira - para cantar as virtudes e feitos daquele que, mais do que civilizador, foi um mestre, um pai, que os livrara das trevas do paganismo, da barbárie e do pecado, indicando-lhes o caminho do Céu.

Por todos os lados começaram a se fazer ouvir brados e lamentos dos indígenas, homens, mulheres e crianças: "Queremos ir com o Padre! Queremos nós carregá-lo!"

Tão determinada e pia insistência não era possível ignorar. Foi assim uma verdadeira procissão que se formou para percorrer os quase 100 quilômetros de praia que separam Reritiba, onde o Bem-aventurado faleceu, de Vila Velha.

O cortejo partiu tendo à frente o Pe. João Fernandes conduzindo uma cruz processional. Seguiam-lhe os demais sacerdotes e irmãos da Companhia, e algumas autoridades locais. Carregado aos ombros em andas, alternadamente por sacerdotes e indígenas, vinha o esquife de cedro com o corpo de Anchieta, e o grosso dos silvícolas.

À medida que caminhavam, um crescente murmúrio, primeiro de perplexidade e depois de admiração, levantou-se entre os indígenas, até se transformar em brados de alegria: Niposii! Niposii! ("Não pesa! Ele não pesa!"). Era bem o fato: o corpo do Apóstolo não só não pesava, como também o atrito dos varaus das andas não magoava os ombros dos seus carregadores, apesar da irregularidade do terreno.

Por sua vez, o Pe. João Fernandes jurou que, durante o longo trajeto feito a pé durante dois dias e duas noites, "jamais sentiu sono ou cansaço; antes, ia gozando de um cheiro e consolação como do Céu. O mesmo depôs o Pe. Pedro Soares" (1). Também os indígenas afirmaram que, "em lugar de cansaço, sentiram muito alívio e consolação" (2).

Mais: daquele corpo sem vida, não se desprendeu o mais leve odor de corrupção, herança dos filhos de Eva, nos dois dias e duas noites de caminhada. Pelo contrário, sentia-se um "suave e agradável cheiro de bálsamo".

Assim, ao som do canto-chão, do Rosário da bendita Mãe de Deus, ou de pungente silêncio fúnebre, os restos mortais de Anchieta se aproximaram de seu destino, Vila Velha, cercados de amor e reverência.

O corpo do Apóstolo do Brasil repousou tranqüilamente, sempre pranteado e reverenciado, na igreja de São Tiago, em Vila Velha do Espírito Santo, de 1597 a 1611. Em 1609, por determinação do Geral da Companhia, Pe. Cláudio Acquaviva, foi feita a primeira exumação do corpo, do qual só restavam ossos. Dois anos depois o mesmo Geral, levando em consideração o bem e a admiração que na Europa suscitavam as primeiras biografias de Anchieta - difundidas através dos colégios e casas dos Jesuítas (3) - ordenou que os preciosos restos do Servo de Deus fossem transladados para a igreja do Colégio da Bahia, a mais importante da Companhia de Jesus então existente no Brasil, e colocados junto ao altar-mor.

Por ocasião da transladação, alguns ossos do heróico missionário haviam sido distribuídos, ficando uma tíbia no Espírito Santo. Por meio de fragmentos desses ossos, Deus operou muitos milagres conforme se afirma sob juramento nos processos canônicos.

O Pe. Simão de Vasconcelos narra inúmeros deles, dentre os quais menciono um, bastante significativo.

Ocorreu em 1616 com o Pe. Pedro Leitão, jesuíta que fora grande amigo de Anchieta. O milagre é pitoresco por sua candura, e reflete bem o caráter alegre e afável do Apóstolo do Brasil: sofrendo de cólicas terríveis que remédio algum podia aliviar, o Pe. Leitão dirigiu uma queixa a Anchieta:

"Santo José, não me acudis? Onde estais? Lembrai-vos de quantas vezes vos ajudei em vossas necessidades e fui enfermeiro fiel em vossas doenças! Não me desampareis agora que padeço!"
.

Dizendo isso, adormeceu e viu em sonhos o amigo: "Ó fraco! Já vos agastais e pelejais comigo? Ora, aqui tendes" (e pondo-lhe a mão na parte dolorida) "já estais são". Quando o Pe. Leitão despertou, estava livre de todo o mal (4).

Notas: (Conformando-nos com os decretos do Sumo Pontífice Urbano VIII, declaramos não querer antecipar o juízo da Santa Igreja no emprego de palavras ou na apreciação de fatos edificantes com relação a pessoas já falecidas. Em nossa intenção, os títulos elogiosos não têm outro sentido senão o ordinário, e em tudo nos submetemos, com filial amor, às decisões da Santa Igreja.)
1) Pe. Simão de Vasconcelos, S.I., Vida do Venerável Padre José de Anchieta, [Escrita em 1677],Instituto Nacional do Livro, Imprensa Nacional, Rio de Janeiro, 1943, 2. Vol., p. 147).
2) Pe. Pero Roiz, ANCHIETA - Vida do Padre José de Anchieta da Companhia de Jesus. Quinto Provincial que foi da mesma Companhia no Estado do Brasil. Escrita pelo Padre Pedro Roiz, natural da cidade de Évora, e sétimo Provincial da mesma Província, [Escrita em 1607, apenas 10 anos após a morte de Anchieta], Livraria Progresso Editora, Salvador, 1955, pp. 86.
3) Cfr. Pe. Hélio Abranches Viotti, S.J., ANCHIETA - O Apóstolo do Brasil, Edições Loyola, São Paulo, 2a. edição, 1980, p. 261.
4) Cfr. Pe. Simão de Vasconcelos, S.J., op.cit.,p. 155.

Revista Catolicismo de junho de 1997

A água benta


Antes era muito comum o uso de água benta entre os católicos, depois a água benta ficou restrita apenas a alguns ambientes. Normalmente encontramos uma pia de água benta na porta das Igrejas, onde o fiel molha a ponta dos dedos e se benze fazendo o sinal da cruz. Também há o uso de água benta em algumas cerimônias da Igreja, como no início da Missa Tradicional: o padre anda na Igreja aspergindo água benta nos fieis, antes de começar a Santa Missa.

Mas há fiéis que levam num vidrinho pequeno, água benta consigo. Aspergem-na discretamente no ambiente de trabalho, na escola, na faculdade, no carro novo que comprou, e até em si mesmos antes de fazerem algum exame, diante de uma provação, diante de uma dificuldade. É muito útil levar água benta consigo.

No início do Cristianismo Santo Alexandre mandou usar o sal na bênção da água. Na lei de Moisés, aspergia-se o povo com água misturada com a cinza do bezerrinho vermelho que imolavam. Chama-se lustral esta água, que limpava o povo das imundícies. O que as cinzas eram na Lei de Moisés é o sal no Novo Testamento. O sal simboliza a sabedoria e a amargura da penitência. Antes de benzer a água, benze-se o sal. A água simboliza o batismo. Benzendo-se a água, o padre vai misturando o sal já bento e assim resulta-se na água benta.

Efeitos espirituais da água benta:

1 – Afugenta todo o poder do demônio no lugar em que se joga a água benta;
2 – Nos dá forças contra os pecados mortais e veniais;
3 – Afugenta toda sombra, fantasia e astúcia diabólica;
4 – Tira as distrações na oração;
5 – Dispõe a alma, com a graça do Espírito Santo, à maior devoção.

Efeitos corporais da água benta:

1 – Abundância nos bens temporais;
2 – Afasta as enfermidades;
3 – Afugenta os gafanhotos, ratos e outros animais daninhos e ares pestíferos.

segunda-feira, 28 de março de 2011

São Francisco, Santa Clara, Frei Silvestre e os pássaros


O humilde servo de Cristo S. Francisco, pouco tempo depois de sua conversão, tendo já reunido e recebido na Ordem muitos companheiros, entrou a pensar muito e ficou em dúvida sobre o que devia fazer, se somente entregar-se à oração, ou bem a pregar algumas vezes: e sobre isso desejava muito saber a vontade de Deus.

E porque a humildade que tinha não o deixava presumir de si nem de suas orações, pensou de conhecer a vontade divina por meio das orações dos outros. Pelo que chamou Frei Masseo e disse-lhe assim:

"Vai a Sóror Clara e dize-lhe da minha parte que ela com algumas das mais espirituais companheiras rogue devotamente a Deus seja de seu agrado mostrar-me o que mais me convém: se me dedicar à pregação ou somente à oração. E depois vai a Frei Silvestre e dize-lhe o mesmo".

Este fora no século aquele monsior Silvestre, que vira uma cruz de ouro sair da boca de S. Francisco, a qual era tão alta que ia até ao céu e tão larga que tocava os extremos do mundo.

Era este Frei Silvestre de tanta devoção e de tanta santidade, que tudo quanto pedia a Deus obtinha e muitas vezes falava com Deus; e por isso S. Francisco tinha por ele grande devoção. Foi Frei Masseo, e conforme a ordem de S. Francisco, deu conta da embaixada primeiramente a S. Clara e depois a Frei Silvestre. O qual, logo que a recebeu, imediatamente se pôs em oração e, rezando, obteve a resposta divina, e voltou a Frei Masseo e disse-lhe assim:

"Isto disse Deus para dizeres ao irmão Francisco: que Deus não o chamou a este estado somente para si; mas para que ele obtenha fruto das almas e que muitos por ele sejam salvos".

Obtida esta resposta, Frei Masseo voltou a S. Clara para saber o que ela tinha conseguido de Deus; e respondeu que ela e outra companheira tinham obtido de Deus a mesma resposta que tivera Frei Silvestre.

Com isto tornou Frei Masseo a S. Francisco; e S. Francisco o recebeu com grandíssima caridade, lavando-lhe os pés e preparando-lhe o jantar. E depois de comer, S. Francisco chamou Frei Masseo ao bosque e ali, diante dele, se ajoelhou e tirou o capuz, pondo os braços em cruz, e perguntou-lhe:

"Que é que ordena que eu faça o meu Senhor Jesus Cristo?"

Respondeu Frei Masseo:

"Tanto a Frei Silvestre como a Soror Clara e à irmã, Cristo respondeu e revelou que sua vontade é que vás pelo mundo a pregar, porque ele não te escolheu para ti somente, mas ainda para a salvação dos outros".

E então S. Francisco, ouvindo aquela resposta e conhecendo por ela a vontade de Cristo, levantou-se com grandíssimo fervor e disse:

"Vamos em nome de Deus".

E tomou como companheiros a Frei Masseo e a Frei Ângelo, homens santos. E caminhando com ímpeto de espírito, sem escolher caminho nem atalho, chegaram a um castelo que se chamava Savurniano, e S. Francisco se pôs a pregar e primeiramente ordenou às andorinhas, que cantavam, que fizessem silêncio até que ele tivesse pregado; e as andorinhas obedeceram. E ali pregou com tal fervor que todos os homens e todas as mulheres daquele castelo, por devoção, queriam seguir atrás dele e abandonar o castelo. Mas S. Francisco não permitiu, dizendo-lhes:

"Não tenhais pressa e não partais; e ordenarei o que deveis fazer para a salvação de vossas almas".

E então pensou em criar a Ordem Terceira para a universal salvação de todos . E assim deixando-os muito consolados e bem dispostos à penitência, partiu-se daí e veio entre Cannara e Bevagna. E passando além, com aquele fervor levantou os olhos e viu algumas árvores na margem do caminho, sobre as quais estava uma quase infinita multidão de passarinhos; do que S. Francisco se maravilhou e disse aos companheiros:

"Esperai-me aqui no caminho, que vou pregar às minhas irmãs aves".

E entrando no campo começou a pregar às aves que estavam no chão; e subitamente as que estavam nas árvores vieram a ele e todas ficaram quietas até que S. Francisco acabou de pregar; e depois não se partiram enquanto ele não lhes deu a sua bênção.

E conforme contou depois Frei Masseo a Frei Tiago de Massa, andando S. Francisco entre elas a tocá-las com a capa, nenhuma se moveu. A substancia da prédica de S. Francisco foi esta:

"Minhas irmãs aves, deveis estar muito agradecidas a Deus, vosso Criador, e sempre em toda parte o deveis louvar, porque vos deu liberdade de voar a todos os lugares, vos deu urna veste duplicada e triplicada; também porque reservou vossa semente na Arca de Noé, a fim de que vossa espécie não faltasse ao mundo; ainda mais lhe deveis estar gratas pelo elemento do ar que vos concedeu. Além disto não plantais e não ceifais; e Deus vos alimenta e vos dá os rios e as fontes para beberdes, e vos dá os montes e os vales para vosso refúgio, e as altas arvores para fazerdes vossos ninhos e, porque não sabeis fiar nem coser, Deus vos veste a vós e aos vossos filhinhos; muito vos ama o vosso Criador, pois vos faz tantos benefícios, e portanto guardai-vos, irmãs minhas, do pecado de ingratidão e empregai sempre os meios de louvar a Deus".

Dizendo-lhes S. Francisco estas palavras, todos e todos estes passarinhos começaram a abrir os bicos, a estender os pescoços, e a abrir as asas, e a reverentemente inclinar as cabeças para o chão, e por seus atos e seus cantos a demonstrar que as palavras do santo pai lhes deram grandíssima alegria. E S. Francisco juntamente com elas se rejubilava, se deleitava, se maravilhava muito com tal multidão de pássaros e com a sua belíssima variedade e com a sua atenção e familiaridade; pelo que ele devotamente nelas louvava o Criador.

Finalmente, terminada a pregação, S. Francisco fez sobre elas o sinal-da-cruz e deu-lhes licença de partir; e então todas aquelas aves em bando se levantaram no ar com maravilhosos cantos; e depois, seguindo a cruz que S. Francisco fizera, dividiram-se em quatro grupos: um voou para o oriente e outro para o ocidente, o terceiro para o meio-dia, o quarto para o aquilão, e cada bando cantava maravilhosamente; significando que como por S. Francisco, gonfaloneiro da cruz de Cristo, lhes fora pregado e sobre elas feito o sinal-da-cruz, segundo o qual se dividiram, cantando, pelas quatro partes do mundo; assim a pregação da cruz de Cristo renovada por S. Francisco devia ser levada por ele e por seus irmãos a todo o mundo; os quais frades como os pássaros, nada de próprio possuindo neste mundo, confiam a vida unicamente à Providência de Deus.

I FIORETTI

A árvore caída


Um engenheiro alemão, quando fazia explorações no interior da Rússia, encontrou um abismo sobre o qual havia ponte muito original, constituída por pinheiro gigantesco que uma tempestade fizera cair atravessado na boca da voragem.

Com o decorrer dos séculos a velha árvore petrificou-se transformou-se naquele interessante viaduto de que se serviam os transeuntes. O pinheiro não fora inutilmente derribado pela violência dos ventos; mesmo depois de abatido continuava a sua existência útil gloriosa.

Aqueles que, neste mundo, se sentem feridos pela adversidade devem ter fé e coragem, pois dias virão certamente em que, como o velho pinheiro petrificado, poderão realizar uma grande e nobre missão em benefício de seus semelhantes.

Seria um contra-senso esquecer que neste mundo as punições divinas são ensinamentos, não infortúnios.

As virtudes que nascem no seio das prosperidades são, de ordinário, fracas e frouxas; as que medram por entre as angústias são fortes e firmes.

A todos oferece Deus livremente a sua misericórdia. Beba o sedento da água da vida. Coma o faminto o pão que reanima o espírito. Ouçam todos a voz de Deus e viverão. Abandone o ímpio o seu caminho e receberá perdão abundante. Saibam todos os fiéis que a palavra de Deus jamais falhará.

("Lendas do Céu e da Terra")

sábado, 26 de março de 2011

A pedra


Um pobre foi esmolar à casa de um rico. Este nada lhe deu.

- Põe-te fora daqui! - disse-lhe.

Mas o pobre não se moveu.
Então o rico enfuriou-se, e deu-lhe uma pedrada.
O pobre apanhou a pedra, apertou-a contra o peito e disse:

- Vou guardá-la até que, por minha vez, te possa apedrejar.

Passou-se o tempo.
O rico incidiu em má-ação, e, despojado de tudo quanto tinha, foi levado ao cárcere.

Vendo-o preso e desprezado, o pobre acercou-se dele, puxou da pedra que sempre trouxera consigo junto do peito, e fez o gesto de atirar-lha: mas, refletindo, deixou-a cair, e disse:

- Foi inútil conservar durante tanto tempo esta pedra. Quando ele era rico e poderoso, eu o temia; agora, faz-me pena e compaixão. [...]

(trecho de “Lendas do Céu e da Terra”)

Nota do Blog: Saber perdoar é uma arte, uma virtude, um sacrifício. Porém uma observação: para sermos perdoados é necessário arrependimento de nossas culpas e prometer nunca mais faze-las. Perdoar para fazer o bem àquela alma é muito bom. Perdoar o mau para que continue a fazer sua maldade é tornar-se tão mau quanto àquele, pois se torna um conivente.

quinta-feira, 24 de março de 2011

A mão do demônio


Há muitos anos atrás um amigo me disse que no bairro da Mooca (Capital de São Paulo) havia um padre que era famoso por ser exorcista: Padre Miguel Pedroso. Então resolvi conhece-lo. O bairro da Mooca é muito conhecido pelas famosas cantinas italianas e diversidades de pizzarias, e eu adoro massas também.

Encontrei a pequena Capela, hoje Paróquia, e lá assisti a santa missa. Confesso que a figura do Padre que lá estava muito me impressionou: sua aparência calma, seu semblante tranqüilo, suas palavras apostólicas de uma mansidão que jamais havíamos presenciado. Todo o seu sermão fora sobre as mensagens de Fátima e um convite à conversão.

Após a Santa Missa as pessoas faziam filas para serem abençoadas pelo Padre Miguel Pedroso, que abençoava um por um, pacientemente. Eu também entrei na fila.

Após vi duas senhoras arrumando a igreja. Me aproximei de uma delas e fiquei sabendo que as duas eram irmãs da família Aliano. Como eu mostrei interesse, a que abordei me contou que a imagem do altar mor de São Miguel Arcanjo – que era lindíssima - fora trazida da Itália. A Capela fora construída há muitos anos pela Família Aliano, e, somente passou de Capela a Paróquia quando da doação pela própria família à Cúria metropolitana de São Paulo. A sua fundação se deu em 21 de abril de 1960. Desde o início o pároco era o padre Miguel Pedroso, que através dos anos todos ficou conhecido pelos exorcismos que efetuava na paróquia. Pertencendo à ordem Diocesana atendia a doentes e necessitados.

(Posteriormente, o Padre Miguel fora transferido para a cidade de Cotia e lá contribuiu com a fundação do famoso Carmelo lá existente. Depois disso, já na sua velhice, veio a falecer deixando muitas saudades em todos os que o conheceram)

Ela me convidou para assistir a “palavrinha” que o Padre Miguel estava dando à alguns jovens numa casa ao lado da Igreja. E então, mais do que depressa fui para lá.

Ainda peguei o final da conversa. Relato resumidamente o que eu mesmo ouvi o Padre Miguel contar:

Estava em minha paróquia, quando umas pessoas vieram me procurar para exorcizar uma mulher grávida que estava no hospital e que estava assustando até os médicos. Imediatamente me arrumei e fui com a família para o local.

No caminho eles me contaram que ela havia freqüentado um centro espírita e que depois disso, jamais teve sossego: brigas em família, desajustes com filhos, marido perdera o emprego...

Ao chegar no hospital, sem mais demora me dirigi ao quarto onde a grávida estava, já quase para dar à luz. Ao me ver, a mulher começou a se contorcer e a dar urros misturados com
choro e gritos.

Coloquei minha estola, e com a cruz nas minhas mãos iniciei as orações exorcísticas. Ao colocar minha mão sobre a cabeça dela ela gritou com voz bem gutural:

- Tira sua mão, pois ela é minha...

- Deixe esta criatura de Deus em paz – respondi.

E se contorcia toda na cama, com a face toda esbranquiçada e olhos de ódio dizia:

- Eu, legião, quero ela... se não puder leva-la vou levar o que tem no seu ventre.

Minha única resposta, só podia ser:

- Você não pode levar a criança, ela é uma criatura de Deus e a Deus pertence - e continuei com minhas orações, ordenando que esse espírito maligno deixasse a mulher.

Foi então que cuspindo na minha face o demônio deu uma gargalhada estrondosa e urrou:

- Eu não saio dela enquanto minha mão estiver nela...


Estranha essa afirmação. Então ordenei:

- Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, deixe essa criatura, você é um espírito e não tem mão...

O demônio dava gargalhadas e se contorcia de todos os lados.

Ocorre que nessas viradas de cá e de lá a blusa da mulher grávida estava um pouco aberta e eu vi uma corrente no seu pescoço. E nessa corrente havia pendurado uma figa.

Pedi que imediatamente retirassem a figa daquela mulher.

Tão logo retiraram a figa, o demônio a deixou. Eis a mão do demônio.

Todos ficaram aliviados e a mulher pode fazer seu parto normalmente.

Ao confessarmos, precisamos fazer sempre o exame de consciência. E para fazermos bem feito, convém que consultemos sempre um bom livro de catecismo. Amar a Deus sobre todas as coisas significa também que devemos repudiar toda a espécie de superstição.

quarta-feira, 23 de março de 2011

A Trapa: Reino de silêncio e oração


Em outra ocasião eu havia feito uma postagem sobre os Cartuxos – uma ordem religiosa pouco conhecida(vide no meu blog: Cartuxa, os Cartuxos e o Chatreuse).

Agora eu vou falar de outra igualmente pouco conhecida: a Trapa.

Uma coisa curiosa é que se os cartuxos vivem na mais extrema solidão, mesmo entre si, na Trapa os trapistas fazem tudo em conjunto, porém ambos guardam silêncio.

A abadia trapista assemelha-se a uma minúscula cidade cujo centro é a igreja e o mosteiro propriamente dito. Nas proximidades erguem-se edificações, destinadas aos afazeres dos monges, e os campos para o cultivo, constituindo tudo isso um pequeno mundo.

Nas horas de trabalho manual, os religiosos dedicam-se às ocupações mais variadas, que garantem sua subsistência e – por expressa determinação da Regra – permitem seu isolamento em relação ao mundo.

O silêncio é outra característica da Ordem. Excetuadas poucas ocasiões, os trapistas invariavelmente guardam silêncio, mesmo durante os trabalhos. Tal silêncio propicia ao monge melhores condições de recolhimento, para meditação e oração. Nunca falar... que fonte de renúncias, que ocasiões de penitência! Entretanto, o silêncio é algo de positivo: nele o trapista emudece em relação às criaturas para melhor poder ouvir o Criador.

O isolamento, o silêncio, a vida de oração e o trabalho manual são prescritos pela Regra de São Bento, que é adotada na Trapa.

VIDA DE ORAÇÃO:

Ainda é noite quando o grande sino desperta os monges e os chama para o canto do Ofício. Os trapistas, como várias ordens religiosas, ao longo dos séculos foram incubidos pela Igreja de rezar o Ofício em seu nome. Após a recitação deste, os monges sacerdotes celebram a Missa, e há um tempo dedicado às orações individuais. Segue-se uma nova hora de Ofício (a Prima), a leitura de um capítulo da Regra e leituras individuais. A Missa solene e o canto da hora Sexta do ofício encerram o período de orações matutinas.

Depois da refeição matinal, os monges partem para o trabalho manual. Vão arar a terra, colher frutos, cuidar da horta e dos animais. Há monges ferreiros, alfaiates marceneiros, etc. Próximos ao prédio principal, esparsos de cá e de acolá, estão os locais de trabalho. Neles, por exemplo, um religioso encaderna livros da grande biblioteca, outro monge alfaiate confecciona hábitos; mais adiante um terceiro monge recompõe um vitral. Nesses locais reinam o silêncio e recolhimento completos.

Na horta, vários trapistas tratam do que será depois o alimento da abadia e dos pobres que batem à sua porta. Mais afastados ficam os campos de cereais e outras plantações que exigem maior área, o pomar, o campo destinado ao gado, etc.

Ao toque do sino nas horas prescritas, agrupam-se nos locais de trabalho e rezam o Ofício ou o Rosário.

Após uma interrupção para o almoço e breve repouso, os religiosos retomam os afazeres até o entardecer. Durante as refeições um monge lê em tom solene a Sagrada Escritura ou obras espirituais. Em certos dias, no refeitório, vê-se o local ocupado por um monge com um pequeno vaso de flores: é a data de seu aniversário. A luz do sol poente penetra pelos vitrais, quando ecoam vozes monacais entoando as horas Vésperas e Completas do Ofício. Segue-se a última refeição e algum tempo de oração e leitura.

Por fim, o som majestoso e solene do grande sino chama a todos para cantar a oração final do dia, a Salve Regina (Salve Rainha). Para aqueles que visitam a Trapa, essa é uma hora inesquecível: após uma longa jornada de orações e trabalhos, os monges reúnem-se aos pés da imagem de Nossa Senhora. Um profundo silêncio de faz, e os monges retiram-se. À porta que os conduz ao claustro, o Abade, pai dos monges, abençoa-os um a um.

O que leva homens, no decorrer de tantos séculos a tudo renunciar e viver só para Deus?
A Trapa já está acostumada a casos como jovens, bem colocados financeiramente, residindo em país próspero de nossos dias, levando vida muito confortável, bater à porta da Trapa. Ele deseja entrar para o mosteiro.

O mestre de noviços atende-o afavelmente e explica-lhes as renúncias que ele deve fazer, a vida de oração e penitência a que deve se submeter. Ele tornar-se-á morto para o mundo e o mundo para ele. A Regra prescreve que, tendo o monge aceitado entrar livremente, não poderá sair do mosteiro nem em caso de morte dos pais.

Pouco tempo depois, o jovem faz um retiro de três dias, e após um mês de postulantado realiza-se a cerimônia de recepção do hábito. Na sala do Capítulo, diante de todos os monges, o rapaz prosterna-se com a face em terra.

- Que pedis? – pergunta o Abade.

O postulante responde com as mesmas palavras de São Bernardo ao solicitar sua entrada na Abadia de Cister:

- A misericórdia de Deus e a vossa.

Faz-se então a promessa de observar a Regra e é revestido da túnica, escapulário e capa que o Abade acaba de abençoar. Recebe um nome religioso e seus cabelos são cortados, como símbolo de renúncia ao mundo. Inicia-se a fase de sólida formação, que o preparará para fazer os votos religiosos por três anos, findo os quais poderá fazer os votos perpétuos.

ORIGEM DA TRAPA

Em 1098, São Roberto de Molesmes funda a primeira Abadia em Cister, na França. Ausente São Roberto, dois santos o sucederam: Alberico e Estevão Harding. Cister irá conhecer um período difícil de treze anos. A chegada de São Bernardo, acompanhado de trinta discípulos, vem dar um novo impulso à nova fundação.

Em Cister, São Bernardo observa com zelo a Regra e compenetra-se profundamente em seu espírito. Os monges passam a ver nele a Regra Viva. Impelido pela mesma chama com que pregou a Segunda Cruzada, São Bernardo espalha mosteiros cistercienses por toda a Europa. À sua morte já existiam 350 abadias dessa observância.

Séculos depois, a decadência geral dos costumes, durante a época do Renascimento e protestantismo, provoca o relaxamento da Ordem cistercience. Uma profunda reforma dos costumes e da vida monástica é efetuada, em 1662, por Armand Jean lê Bouthillier de Rance, tendo por centro a Abadia de Nossa Senhora da Trapa. Nasce então a atual ordem dos Cistercienses da Estrita Observância, que procura voltar integralmente às origens de Cister e à Regra de São Bernardo. Em fins do século XVIII, sopra sobre a França e a Europa a tempestade da Revolução Francesa. Os trapistas são expulsos de suas casas, os mosteiros incendiados e as igrejas destes profanadas. Após 24 anos de exílio, voltam os religiosos e as abadias renascem.

O Papa Leão XIII efetuou a unificação das diversas congregações originadas da Trapa – dispersas a partir da Revolução Francesa – mediante a convocação do Capítulo Geral de 1882.

Durante a guerra civil de 1936 na Espanha, os comunistas fuzilam vinte e um trapistas jogando os corpos no mar. Na Iugoslávia e na China, os comunistas fecham, saqueiam ou incendeiam mosteiros; os trapistas são presos ou expulsos. Neste último país mais de trinta deles são martirizados. A observância de uma rigorosa regra religiosa, o amor a Deus e à Igreja, levaram esses religiosos contemplativos a preferir a morte a qualquer transigência em matéria de Fé.

Fonte: Revista Catolicismo de maio de 1985.

terça-feira, 22 de março de 2011

As Mãos de Minha Mãe


Minha mãe tem duas mãos.
Duas mãos para me lavar, duas mãos para me vestir, duas mãos para me dar o pão de cada dia.
Que mãos prestativas as de minha mãe !

Duas mãos tem a minha mãe.
Duas mãos para me consolar quando triste.
Duas mãos para me curar quando enfermo.
Duas mãos para me levantar quando caído.
Que mãos solícitas as de minha mãe !

Minha mãe tem duas mãos.
Duas mãos para me levar à escola.
Duas mãos para me ajudar nas lições.
Duas mãos para me aplaudir nos progressos.
Que mãos sábias as de minha mãe !

Duas mãos tem a minha mãe.
Duas mãos para sair comigo ao sol, às flores, aos pássaros, às montanhas, ao mar.
Duas mãos para me abrir caminho na direção dos outros, dos amigos, dos necessitados.
Duas mãos para me segurar nas brigas; para me advertir nos erros; para me perdoar no arrependimento.
Que mãos amigas as de minha mãe !

Minha mãe tem duas mãos.
Duas mãos para me conduzir à Igreja, Ao Cristo, ao Pai.
Duas mãos para entrelaçar as minhas em oração confiante.
Duas mãos para abrir as minhas na partilha aos irmãos.
Que sacrossantas as mãos de minha mãe !

Duas mãos tem a minha mãe.
Duas mãos puras, juvenis, resolutas, que um dia, comprometidas com as de meu pai, e unidas no êxtase da mais profunda comunhão, me chamaram à alegria do conviver, à aventura do eternizar-se em Deus.
Benditas sejam as mãos de minha mãe !

Oxalá ao meu lado estivessem as duas mãos de minha mãe a me fecharem os olhos para o sono derradeiro. Mas, Tanto, não lhe causaria dupla morte ?
Melhor, fora de dúvida, acordar para festa da vida, tendo as duas mãos de minha mãe estendidas na minha direção para o abraço da eternidade.
Anfitrioa da vida terrestre, anfitrioa da vida celeste !

Pe. Lauro Sigrist
* 11-04-1927
+ 08-05-2008

segunda-feira, 21 de março de 2011

O rei e os peixinhos do lago


Nas vizinhanças do palácio do rei havia um pequeno lago onde viviam tranqüilos muitos peixinhos.
Um dia, ao regressar de um passeio, o rei chamou um de seus auxiliares e disse-lhe:

- Tenho muita pena desses peixinhos que vivem tão modestamente no lago. É preciso que tenham mais espaço para nadar e mais liberdade para viver. Determino, pois, que todos eles sejam, amanhã, muito cedo, transportados para o grande rio que banha a cidade.

A ordem do rei foi rigorosamente obedecida. Todos os peixinhos foram retirados do lago e levados para o rio caudaloso que passava ao longe.

- Agora sim - comentou, vaidoso, o rei - poderão viver perfeitamente felizes pois no grande rio, graças à minha bondosa providencia, os peixinhos terão mais recursos e mais liberdade.

- Muito se engana Vossa Majestade - observou o mais sábio dos ministros. - Estou certo de que a mudança de vida foi para os peixinhos do lago uma verdadeira desgraça. No lago eles viviam tranqüilos e seguros. No rio serão a todo momento perseguidos e talvez devorados impiedosamente pelos peixes vorazes. A corrente violenta os arrastará para o meio das pedras ou os levará para o meio do lodo.

E foi o que, afinal, aconteceu. Os peixinhos do lago perderam-se, para sempre, nas águas barrentas do grande rio.

É um erro julgar-se que a excessiva liberdade é um bem. Se os peixinhos do lago viviam felizes na sua modéstia e obscuridade, para quê foi o rei caprichoso levá-los para o tumulto e para a luta?

Não há liberdade senão quando só se faz o que é direito e justo.

A liberdade não é apenas um direito; é, também, uma séria responsabilidade. Não consiste a liberdade em fazer o que se quer, mas em fazer o que se deve. Todo aquele que ergue a voz contra a liberdade é porque encontra, ou espera encontrar, algum proveito na escravidão dos outros.

O direito sem o dever é anarquia; o dever sem o direito é escravidão. O direito e o dever, ligados indissoluvelmente um ao outro, são a liberdade.
A liberdade é mais vezes destruída pelos seus excessos do que pelos seus inimigos.

"A verdadeira liberdade é fazer tudo o que é justo, legítimo e conforme as leis de Deus".

(“Lendas do Céu e da Terra”)

sábado, 19 de março de 2011

O poder da prece


Durante uma tempestade que assaltou a embarcação em que ia São Luís, de partida para a cruzada, viram o rei, depois de orar, levantar-se cheio de confiança, asseverando que não aconteceria mal algum à pequena armada.

Interrogaram-no:

- Quem vos deu essa certeza?

- Lá muito longe - respondeu o santo - no meu mosteiro de Claraval estão oferecendo por nós orações e penitências. Tudo correrá bem.

Poucos são, infelizmente, os que crêem no poder da oração.
Mas como é, afinal, uma oração? É apenas um mover de lábios? Um recitar de fórmulas convencionais? Honramos a Deus com a boca, tendo bem longe d'Ele o nosso coração? Então não nos devemos admirar de que a oração nos pareça aborrecida e árida. Rezar é conversar com Deus, é falar, em intimidade, com Ele, como o filho fala ao pai. E dizer-Lhe que O amamos; é expor-Lhe o de que precisamos. Tudo com suavidade, tudo com paz. Rezar é avivar a nossa fé e "encostar" - na expressão do padre Faber - "os nossos lábios purificados nos ouvidos misericordiosos de Deus"! Oh! Se nós rezássemos assim, como se transformaria a nossa vida inteira!

Assim como a alma conserva a vida do corpo, a oração conserva a vida da alma.

Já São Francisco de Assis dizia:

- Nunca se devem esperar bons frutos de uma alma que não reza.

E o padre Plus deixou-nos esta sentença admirável:

- Em uma alma unida a Deus todas as ações são orações.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Instrumentos antigos e Música Medieval


Há algum tempo atrás eu tinha postado um vídeo sobre um construtor de instrumentos medievais que há em São Paulo. Muitas pessoas se interessaram sobre esse assunto, chegando a pedir que eu enviasse essas músicas por e-mail e fotos de instrumentos. Há muitos conjuntos de música medieval no Brasil e no exterior. Pessoas que fazem universidade de música, e depois se pós-graduam em musica medieval ou assemelhados, posteriormente montam grupos medievais.

O Roberto Holz começou consertando instrumentos da Orquestra Sinfônica de São Paulo, depois se dedicou ao estudo das plantas de instrumentos antigos e assim pode reproduzir fielmente instrumentos tais quais eram feitos na época.

O Abel Vargas (também de São Paulo) é um excelente músico e toca "viola da gamba" (uma espécie de violoncelo de seis ou sete cordas que se toca apoiado nas pernas). Ele constroe cravos belíssimos. Para quem procura os concertos de Música Antiga (que envolve os períodos Medieval, Renascentista e Barroco) e faz amizade com os músicos pode ter uma surpresa: vai verificar que a Música Antiga tem crescido imensamente no Brasil e que os músicos que tocam instrumentos de época são em número muito grande.

O que mais me anima ir num concerto desses, além da música que é maravilhosa, é ver o crescente número de jovens que são atraídos pela música medieval. Procuram onde se aprende a tocar o "violino barroco", por exemplo; cravo; flauta medieval e barrocas; entre outros tantos instrumentos de sonoridade ímpar.

Para os festivais dedicados especialmente à Música Antiga, como acontece toda segunda quinzena de julho de cada ano na cidade de Juiz de Fora - Minas Gerais, são convidados grupos e professores de grande fama internacional para executar as músicas e ensinar a tocar os instrumentos antigos. Vale a pena ver. Eu recomendo.

A música é um ótimo meio para fazer apostolado, além de ser agradavel aos olhos e aos ouvidos.
Finalizando esta postagem, esclareço que, se alguém se interessar sobre instrumentos antigos e sua sonoridade, visite o blog do amigo que está me ajudando atualmente. É só clicar no escudo abaixo:

CLIQUE NO ESCUDO ACIMA

quarta-feira, 16 de março de 2011

São Francisco livrou o frade do demônio


Estando uma vez S. Francisco em oração no convento da Porciúncula, viu, por divina revelação, todo o convento cercado e assediado pelos demônios, como se fosse por um grande exército. Mas nenhum podia, aliás, entrar dentro do convento; porque aqueles frades eram de tanta santidade, que os demônios não tinham meios de entrar neles. Mas, perseverando todavia assim, um dia um daqueles frades se escandalizou com um outro, e pensava no seu coração como poderia acusá-lo e vingar-se dele.

Pelo que, continuando ele com este mau pensamento, o demônio, achando a porta aberta, entrou no convento e montou no pescoço daquele frade. Vendo isto o piedoso e solícito pastor, o qual velava sempre por seus rebanhos, que o lobo entrara para devorar sua ovelha: mandou imediatamente chamar à sua presença aquele frade e lhe ordenou que logo deveria descobrir o veneno do ódio concebido contra o próximo, pelo qual estava nas mãos do inimigo. Pelo que atemorizado, por se ver assim compreendido pelo santo pai, descobriu todo o veneno e rancor, e reconheceu sua culpa e pediu-lhe humildemente a penitência com misericórdia, e isto feito, absolvido que foi do pecado e recebendo a penitência, imediatamente diante de S. Francisco o demônio se foi; e o frade assim livre das mãos da cruel besta, pela bondade do bom pastor, agradeceu a Deus: e, voltando corrigido e ensinado ao redil do santo pastor, viveu depois em grande santidade.

I FIORETTI

terça-feira, 15 de março de 2011

A dor da crucifixão


Médico francês reconstitui a agonia de Jesus.

Sou um cirurgião, e dou aulas há algum tempo. Por treze anos vivi em companhia de cadáveres e durante a minha carreira estudei anatomia a fundo. Posso portanto escrever sem presunção a respeito de morte como aquela.

Jesus entrou em agonia no Getsemani e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra'. O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas. E o faz com a precisão de um clínico.

O suar sangue, ou "hematidrose", é um fenômeno raríssimo. É produzido em condições excepcionais: para provocá-lo é necessário uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo.

O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus. Tal tensão extrema produz o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas, o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra. Conhecemos a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes. Pilatos cede, e então ordena a flagelação de Jesus.

Os soldados despojam Jesus e o prendem pelo pulso a uma coluna do pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre as quais são fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos. Os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura.

Golpeiam com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de angue. A pele se dilacera e se rompe; o sangue espirra. A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea, calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos pulsos, cairia em uma poça de sangue.

Depois o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que os de acácia, os algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo). Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão feroz, o entrega para ser crucificado.

Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da Cruz; pesa uns cinqüenta quilos. A estaca vertical já está plantada sobre o Calvário. Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheias de pedregulhos. Os soldados o puxam com as cordas. O percurso, é de cerca de 600 metros. Jesus, fatigado, arrasta um pé após o outro, freqüentemente cai sobre os joelhos. E os ombros de Jesus estão cobertos de chagas.

Quando ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega, e lhe esfola o dorso.

Sobre o Calvário tem início a crucificação. Os carrascos despojam o condenado, mas a sua túnica está colada nas chagas e tirá-la produz dor atroz.

Quem já tirou ma atadura de gaze de uma grande ferida percebe do que se trata. Cada fio de tecido adere à carne viva: ao levarem a túnica, se laceram as terminações nervosas postas em descoberto pelas chagas.

Os carrascos dão um puxão violento. Há um risco de toda aquela dor provocar uma síncope, mas ainda não é o fim. O sangue começa a escorrer.

Jesus é deitado de costas, as suas chagas se incrustam de pó e pedregulhos.

Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas. Com uma broca, é feito um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos. Os carrascos pegam um prego (um longo prego pontudo e quadrado), apóiam-no sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente. O nervo mediano foi lesado.

Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima, que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se pelos ombros, atingindo o cérebro. A dor mais insuportável que um homem pode provar, ou seja, aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos: provoca uma síncope e faz perder a consciência. Em Jesus não. O nervo é destruído só em parte: a lesão do tronco nervoso permanece em contato com o prego: quando o corpo for suspenso na cruz, o nervo se esticará fortemente como uma corda de violino esticada sobre a cravelha. A cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes. Um suplício que durará três horas. O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé; conseqüentemente fazendo-o tombar para trás, o encostam na estaca vertical.

Depois rapidamente encaixam o braço horizontal da cruz sobre a estaca vertical. Os ombros da vítima esfregam dolorosamente sobre a madeira áspera.

As pontas cortantes da grande coroa de espinhos penetram o crânio.
A cabeça de Jesus inclina-se para frente, uma vez que o diâmetro da coroa o impede de apoiar-se na madeira. Cada vez que o mártir levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudas de dor. Pregam-lhe os pés.

Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. Seu corpo é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede.

Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz.

Um estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps esticados e levantados, os dedos, se curvam. É como acontece a alguém ferido de tétano. A isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios. A respiração se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho, depois se transforma num violeta purpúreo e enfim em cianítico.

Jesus é envolvido pela asfixia. Os pulmões cheios de ar não podem mais esvaziar-se. A fronte está impregnada de suor, os olhos saem fora de órbita. Mas o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus toma um ponto de apoio sobre o prego dos pés. Esforça-se a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem. A respiração torna-se mais ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial.

Por que este esforço? Porque Jesus quer falar: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem". Logo em seguida o corpo começa afrouxar-se de novo, e a asfixia recomeça. Foram transmitidas sete frases pronunciadas por ele na cruz: cada vez que quer falar, deverá levar-se tendo como apoio o prego dos pés. Inimaginável! Atraídas pelo sangue que ainda escorre e pelo coagulado, enxames de moscas zunem ao redor do seu corpo, mas ele não pode enxotá-las. Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura diminui. Logo serão três da tarde, depois de uma tortura que dura três horas.

Todas as suas dores, a sede, as câimbras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos, lhe arrancam um lamento: "Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?". Jesus grita: "Tudo está consumado!". Em seguida num grande brado diz: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito". E morre. Em meu lugar e no seu.

Dr. Barbet, médico francês

(desconheço a autoria, recebido por e-mail)

Post Scriptum: Minha amiga Esther deixou um comentário esclarecendo sobre a autoria do texto: "A autoria é de Pierre Barbet, um cirugião francês que dava palestras sobre seus estudos da Paixão de Nosso Senhor a partir do S. Sudário. Essas palestras resultaram no livro "A Paixão Segundo o Cirugião" - Muito bom livro, por sinal (:"

Agradeço a colaboração, que Nossa Senhora lhe abençoe.

domingo, 13 de março de 2011

Verônica e as perseguições que se farão aos Católicos


Uma das Santas mulheres que estavam em Jerusalém foi Santa Verônica. No caminho do Calvário enxugou com seu véu o rosto de Nosso Senhor que carregava a cruz. Nesse pano branco ficou estampada a Sagrada Face de Nosso Senhor Jesus Cristo milagrosamente.

Verônica levou o véu para fora da Terra Santa e teria usado para curar o Imperador Tibérius (14-37) de uma doença. O véu foi subseqüentemente visto em Roma no século oitavo e foi transferido para a Basílica de São Pedro em 1297 pelo Papa Bonifácio VIII (1294-1303). É uma das mais amadas relíquias da Igreja.

No caminho do Calvário houve o encontro com as filhas de Jerusalém, relatado por São Lucas, Cap. 23, v. 27:31:

Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam. Voltando-se para elas, Jesus disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos. Porque virão dias em que se dirá: Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram! Então dirão aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos! Porque, se eles fazem isto ao lenho verde, que acontecerá ao seco?

sexta-feira, 11 de março de 2011

Quæ utilitas in sanguine meo?






Oh vós que andais pelo caminho,
parai e vêde se há uma dor semelhante à minha dor










Povo meu, que te fiz eu, em que te contristei? Como paga de todos esses bens, tu preparaste uma Cruz para teu Salvador? Que mais deveria fazer que não tivesse feito?

quinta-feira, 10 de março de 2011

Melhor conselho que eu posso lhe dar: Confesse Bem


Um dos livros mais preciosos que eu já tive oportunidade de ler é sem dúvida “O Caminho Reto” de Santo Antonio Maria Claret. Transcrevo um episódio narrado pelo Santo autor:

Um homem fazia más confissões e, depois, quando quis confessar-se devidamente, não pode; porque bem diz o mesmo Deus: buscar-me-eis e não me achareis e morrereis em vosso pecado (São João, 8, 21).

Diz, pois, São Ligório que nos anais dos Padres Capuchinhos se conta dum que era tido por pessoa de virtude, mas que se confessava mal. Como caísse gravemente doente, foi avisado que se confessasse, e fez chamar certo Padre ao qual disse logo que chegou:

- Meu Padre, dizei que me confessei, mas eu não quero confessar-me.

- E por que? - lhe replicou admirado o Padre.

- Porque estou condenado, pois não tendo me confessado nunca inteiramente de meus pecados, Deus em castigo me priva agora de poder confessar-me bem.

Dito isto, começou a dar terríveis uivos e a despedaçar a língua, dizendo:

- Maldita língua que não quiseste confessar os pecados quando podias.

E assim, fazendo em pedaços a língua e uivando horrivelmente, entregou a alma ao demônio; seu cadáver ficou negro como um carvão e ouviu-se um barulho espantoso, seguido dum cheiro insuportável.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Santa Alegria


Andava São Deícola risonho e alegre e ninguém o via a não ser com semblante feliz e boa disposição de ânimo.
Perguntaram-lhe certa vez qual a causa daquela alegria imutável e constante.

Respondeu o santo:

- Seja o que for, suceda o que suceder, ninguém me pode tirar a Cristo.

Saber sorrir é, muitas vezes, um ato heróico. Que teu sorriso, pensativo e jovial, seja sempre bondoso. Entre os que encontrares em teu caminho, vai de preferência aos mais fracos, aos mais irritados, aos mais abandonados. Sejam quais forem os teus sofrimentos e as tuas tristezas, deverás saber também "alegrar-te com os que se alegram", e tomar parte na felicidade dos outros.

Quando São Paulo nos aconselha que estejamos sempre alegres, expressa sob uma forma aparentemente diversa a sublime verdade: "Estai sempre no estado de graça".

"Há uma alegria que as piores dores não conseguem destruir, uma luz que brilha nas trevas mais densas, uma força que nos ampara em todas as nossas fraquezas. Sós, cairíamos por terra como Cristo levando a Cruz. Caminhamos, apesar de tudo, e se caímos nossas quedas são passageiras, e logo nos levantamos. A razão é que "tudo podemos n'Aquele que nos fortalece". Sendo seres tão fracos, trazemos em nós a força infinita, e nas profundezas da nossa alma brilha a Luz Divina que nunca se apaga. Como, apesar de todos os males, não havemos de viver alegres, com uma alegria sobrenatural, quando temos a Deus conosco para a vida e para a eternidade?".

Lembra-te, portanto, meu amigo, das palavras do Santo:

- Seja o que for, suceda o que suceder, ninguém te pode tirar a Cristo!

("Lendas do Céu e da Terra")

Post Scriptum: Uma das coisas que mais me anima a continuar com meu Blog são as visitas e os comentários que meus amigos deixam, inclusive para me corrigir. Meu amigo Renato fez uma observação importante: A figura acima não é de São Deícola, mas de São Vicente Pallotti. E isso é correto. Pois não encontrei nenhuma foto de São Deícola, mas foi a de São Pallotti que mais se assemelhou com o conteúdo da mensagem. Mas eu deveria ter acrescentado que a foto era de São Vicente Pallotti, e por um lapso não mencionei. Agora fica corrigido minha omissão. Muito obrigado Renato, seu comentário foi de grande valia. Que Nossa Senhora lhe abençoe sempre.

A imperatriz e o bispo


Conta-se que a célebre Eudóxia, imperatriz de Constantinopla, contrariada por São João Crisóstomo que lhe reprovara alguns atos, reuniu, certa vez, os seus ministros e disse-lhes:

- Esse bispo irrita-me com suas impertinências. Que devo fazer para castigá-lo?

Um dos ministros sugeriu logo:

- Penso que Vossa Majestade deve confiscar todos os bens do prelado e desterrá-lo.

- Nada disso - ponderou o segundo-ministro. - Esse bispo precisa ser preso. Decretai, Majestade, a prisão de vosso inimigo!

O terceiro-ministro não concordou e disse com severidade:

- A meu ver, senhora, o bispo, pelo exemplo de rebeldia que praticou, é passível da pena de morte. Não vejo, aliás, outra solução para o caso. É entregá-lo às mãos do carrasco.

O mais prestigioso dos ministros, que exercia com elevada sabedoria as funções de conselheiro da Imperatriz, ao ouvir as pérfidas sugestões dos seus colegas, assim falou:

- Bem vejo que não conheceis o bispo. As sugestões que acabais de formular não representam, para o digno prelado, castigo de espécie alguma.

- Como assim? - retorquiu, com indisfarçável surpresa, a imperatriz. - O confisco dos bens, o desterro, a prisão e a morte não importarão em castigos para o bispo Crisóstomo? Por quê?

- A razão é simples - explicou o judicioso ministro. - Se Vossa Majestade confiscar-lhe as propriedades só os pobres é que perderão, pois o bispo só se serve dos bens que possui para socorro dos necessitados. Que adianta, por outro lado, desterrá-lo, se para o verdadeiro cristão a terra inteira é sua Pátria! Lançá-lo no fundo de uma prisão? Isso para o bispo jamais representará um castigo. Devotado como é à causa de Deus, ele se sentirá feliz por sofrer, por Cristo, todas as torturas do cativeiro!

- Mas a morte o assustará com certeza - rosnou, entre os dentes, um dos ministros.

- Nunca! - discordou o conselheiro. - De forma alguma! Condená-lo à morte será conduzi-lo, pelo martírio, ao reino do céu.

- E que devo então fazer para castigar o bispo? - perguntou a imperatriz.

- O bispo Crisóstomo - prosseguiu o conselheiro - só teme uma coisa: é o pecado. Deseja Vossa Majestade castigá-lo? Nada mais simples. É procurar um meio qualquer de obrigá-lo a cair em pecado!

No pecado existe alguma coisa tremenda, odiosa, horrível e abominável. Os seus característicos são opostos a tudo quanto é puro e santo.

O pecado é para a alma o que a doença é para o corpo. Pode o corpo, privado de saúde, sucumbir pela ação maléfica da doença; assim também a alma, vencida pelo pecado, será levada à eterna perdição. Um espelho embaciado ou não reflete ou reflete mal. Ora, a alma é um espelho incapaz de refletir as verdades da Fé quando empanada pelo pecado.

O pecado é a desobediência à vontade de Deus, ou ainda é fazer aquilo que Deus odeia e manda que não se faça. São Paulo diz que a lei de Deus e "santa, justa e boa". Quem a transgride ou despreza pratica um ato contrário à santidade, à justiça e à bondade de Deus.

Eis porque São João Crisóstomo temia o pecado.

(“Lendas do Céu e da Terra”)

quarta-feira, 2 de março de 2011

Em busca do Elixir Vegetal Chartreuse

A respeito de minha postagem sobre os monges Cartuxos e o seu licor Chartreuse (http://almascastelos.blogspot.com/2010/09/cartuxa-os-cartuxos-e-o-chatreuse.html), pessoas ainda tem me enviado e-mails me perguntando sobre o licor e sobre o elixir. Onde encontrar, onde procurar. Meus amigos, recomendo o licor sem duvida. Mas o elixir é uma coisa tão maravilhosa que dos meus dois frascos que restaram não abro e nem gasto, guardo de recordação. Procurem o elixir. Num copo de água, adoce com açúcar ou adoçante, pingue apenas algumas gotinhas do elixir. É só misturar e tomar. Faz um bem enorme e é tão saboroso que se torna difícil descrever.
Vejam os endereços abaixo:

http://www.thewhiskyexchange.com/B-343-Chartreuse.aspx

http://www.imigrantesbebidas.com.br/produto/7201/Licor+Chartreuse+Amarela+700+ml


le secret de la chartreuse
Enviado por delachartreuse. - Vídeos de arte e animação.