Mas porque Almas Castelos? Eu conheci algumas. São pessoas cujas almas se parecem com um castelo. São fortes e combativas, contendo no seu interior inúmeras salas, cada qual com sua particularidade e sua maravilha. Conversar, ouvir uma história... é como passear pelas salas de sua alma, de seu castelo. Cada sala uma história, cada conversa uma sala. São pessoas de fé flamejante que, por sua palavra, levam ao próximo: fé, esperança e caridade. São verdadeiras fortalezas como os muros de um Castelo contra a crise moral e as tendências desordenadas do mundo moderno. Quando encontramos essas pessoas, percebemos que conhecer sua alma, seu interior, é o mesmo que visitar um castelo com suas inúmeras salas. São pessoas que voam para a região mais alta do pensamento e se elevam como uma águia, admirando os horizontes e o sol... Vivem na grandeza das montanhas rochosas onde os ventos são para os heróis... Eu conheci algumas dessas águias do pensamento. Foram meus professores e mestres, meus avós e sobretudo meus Pais que enriqueceram minha juventude e me deram a devida formação Católica Apostolica Romana através das mais belas histórias.

A arte de contar histórias está sumindo, infelizmente.

O contador de histórias sempre ocupou um lugar muito importante em outras épocas.

As famílias não têm mais a união de outrora, as conversas entre amigos se tornaram banais. Contar histórias: Une as famílias, anima uma conversa, torna a aula agradável, reata as conversas entre pais e filhos, dá sabedoria aos adultos, torna um jantar interessante, aguça a inteligência, ilustra conferências... Pense nisso.

Há sempre uma história para qualquer ocasião.

“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15)

Nosso Senhor Jesus Cristo ensinava por parábolas. Peço a Nossa Senhora que recompense ao cêntuplo, todas as pessoas que visitarem este Blog e de alguma forma me ajudarem a divulga-lo. Convido você a ser um seguidor. Autorizo a copiar todas as matérias publicadas neste blog, mas peço a gentileza de mencionarem a fonte de onde originalmente foi extraída. Além de contos, estórias, histórias e poesias, o blog poderá trazer notícias e outras matérias para debates.
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quarta-feira, 13 de maio de 2015

O pai do primeiro Arcebispo de São Paulo e o chale europeu

Ler fatos sobre São Paulo antigo é muito gratificante. Muitos casos interessantes encontramos nos relacionamentos sociais de uma época de se foi - infelizmente. Pergunto-me se algum dia a doçura de viver voltará no trato social. Na busca por literatura do gênero, encontrei um livro muito interessante: a vida de Dom Duarte Leopoldo e Silva – 1º Arcebispo de São Paulo (Edições Catanduva – ano de 1967 – Monsenhor Victor Rodrigues de Assis).

Vejamos um fato pitoresco da vida do pai de Dom Duarte Leopoldo e Silva.

Dom Duarte Leopoldo e Silva, primeiro dos 10 filhos que tiveram o casal Bernardo Leopoldo e Silva e Da. Ana Rosa Marcondes Leopoldo e Silva, nasceu na então pequena, mas histórica cidade de Taubaté, a 4 de abril de 1867.

Seu pai era português, muito honrado, tinha conhecimentos suficientes para ser bom chefe de família.

Veio para o Brasil, mocinho ainda, e exercia a profissão de alfaiate. Qual a profissão que em Portugal ocupavam os pais do Sr. Bernardo não é fácil saber. Não estiveram, porém, alheios aos acontecimentos do Brasil, na época da independência, no ano de 1.822. Era o Sr. Bernardo filho de inglês, pois seu avô paterno, sendo partidário do Príncipe D. Miguel de Bragança, quando este fugiu para a Inglaterra, acompanharam-no muitos dos seus fiéis vassalos. Na Inglaterra nasceu, pois o pai do Sr. Bernardo que se chamava Duarte.

Não se sabe a data em que chegou ao Brasil o Sr. Bernardo; parece que chegou bem mocinho fixando residência em Taubaté. Já pela honradez de seu caráter, já pela sua perícia profissional, nunca lhe faltaram encomendas das pessoas principais da localidade. Casara-se com D. Ana Rosa Marcondes, natural de Pindamonhangaba.

Posteriormente, o Sr. Bernardo estabeleceu-se com uma casa comercial em Taubaté mesmo. Esta casa, para satisfazer às circunstâncias do tempo e do ambiente deveria ter artigos de loja e de empório; o Sr. Arcebispo aludia, muitas vezes as "bolachas de bordo" e aos artigos femininos usados pelas senhoras e que seu pai vendia. Para frisar bem o caráter de seu progenitor, incapaz de uma deslealdade, contava S. Excia, o seguinte fato:

"As senhoras da época tinham como traje de gala certos chales europeus". O Sr. Bernardo, atendendo pedidos, encomendou tais chales na Europa. Chegando os artigos, mandou um fino chale à sua freguesa. Mas, a dama julgou-se ofendida com a apresentação da encomenda, ou pelo desalinho do volume, ou por capricho feminino, devolvendo-a ao Sr. Bernardo com enorme reprimenda, pois, "aquilo não era chale que lhe enviasse, mas sim para uma criada". Embaraçado o honesto negociante, percebeu todo o tamanho da vaidade feminina e quis dar-lhe boa lição. Mandou pedir desculpas à ilustre freguesa, afirmando-lhe que já lhe fizera nova encomenda, esperando, agora, ser-lhe em tudo agradável. Passados tempos, o Sr. Bernardo tomou um daqueles mesmos chales, envolveu-os em alguns papéis de seda; colocando-o em apresentável caixa de papelão, e no preço marcou uma cifra três vezes mais caro do que na primeira vez e o enviou à vaidosa senhora. Inútil é dizer que a vaidosa senhora julgou-se muito honrada com tal chale, que sem a caixa; sem os papéis de seda; com o preço três vezes inferior, só serviria para uma criada... E acrescentava o Sr. Arcebispo: e o velho dava boas risadas ao contar isto, confessando que tal não faria uma segunda vez, por saber que isto não era justo.”

(Obra citada, páginas 15 e 16)

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